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Síria enfrenta crise alimentar sem precedentes, alerta agência da ONU

Mais de 11 milhões de pessoas precisam de ajuda e proteção; preço dos alimentos subiu de mais de 200% em menos de um ano; nesta terça-feira, Nações Unidas e União Europeia organizam conferência de doadores para financiar resposta.

O povo sírio enfrenta uma crise alimentar sem precedentes, com os preços dos alimentos básicos subindo para os níveis mais altos de sempre, informou o Programa Mundial de Alimentos, PMA.

Esta terça-feira, as Nações Unidas e a União Europeia realizam, na internet, uma conferência de doadores para financiar a reposta no país, que enfrenta um conflito há quase uma década.

Crise

Segundo o Escritório da ONU para a Coordenação de Assuntos Humanitários, Ocha, mais de 11 milhões de pessoas precisam de ajuda e proteção. A economia no país e em toda a região está implodindo, principalmente pelo impacto da Covid-19.

Metade da população, mais de 13 milhões de pessoas, estão deslocadas internamente ou espalhadas por todo o mundo como refugiados. Para a agência, a conferência “é uma oportunidade de o mundo mostrar que se importa” com o que está acontecendo.

Cerca de 83 delegações já confirmaram presença na conferência de doadores de terça-feira, incluindo 58 países, 12 organizações regionais e instituições financeiras e 13 agências da ONU.

O subsecretário-geral de assistência humanitária, Mark Lowcock, e o enviado especial da Síria, Geir Pedersen, irão representar as Nações Unidas. Participam ainda o alto comissário para os Refugiados, Filippo Grandi, o administrador do Programa da ONU para o Desenvolvimento, Pnud, Achim Steiner, e a diretora executiva do Fundo das Nações Unidas para a Infância, Unicef, Henrietta Fore.

Necessidades

O PMA estima que 9,3 milhões de sírios estejam em situação de insegurança alimentar, com um aumento de 1,4 milhões nos últimos seis meses.

Paralisação econômica, crise econômica no Líbano, que que é vital para a Síria, e medidas de combate à Covid-19 causaram uma subida no preço dos alimentos de mais de 200% em menos de um ano.

Os preços dos são agora 20 vezes maiores que os níveis anteriores ao conflito. Uma cesta básica custava 4 mil libras sírias, cerca de US $ 7,78, e agora custa US$ 148. As famílias foram forçadas a adotar medidas desesperadas, desde cortar refeições a vender bens preciosos ou contrair dívidas.

No campo de refugiados de Dera, na Síria, os jovens refugiados palestinos continuam estudando apesar das restrições da pandemia da Covid-19, Unrwa.

A diretora do PMA no país, Corinne Fleischer, disse que “essas famílias já passaram por mais do que é possível, esgotaram suas economias, muitas vezes fugiram de suas casas e agora enfrentam uma espiral de pobreza e fome.” Segundo ela, os sírios “estão ficando sem opções.”

Todos os meses, a agência fornece assistência alimentar a 4,8 milhões de pessoas vulneráveis no país. Também fornece refeições e lanches nas escolas e ajudar as famílias a restaurar seus meios de subsistência.

Financiamento

A agência precisa, urgentemente, de US$ 200 milhões até o final do ano para continuar estes serviços. Se novos fundos não estiverem disponíveis até agosto, o PMA terá de reduzir drasticamente as rações alimentares em outubro, bem como o número de pessoas beneficiadas.

A diretora da agência no país afirmou que essa ajuda alimentar é a única forma de sobrevivência para famílias que perderam tudo. Segundo ela, “as necessidades nunca foram tão grandes.” (ONU News)

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