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“Monstros” da antiguidade encontrados em Angola vão brilhar em exposição no Instituto Smithsonian, EUA

Ossos fossilizados de répteis gigantes, denominados Mosasaurus, que nadaram no Atlântico Sul há quase 100 milhões de anos, quando este ainda estava em formação, e que foram encontrados na costa rochosa de Angola, vão ser as estrelas de uma importante exposição que abre portas sexta-feira, no Instituto Smithsonian, em Washington, EUA.

Segundo a informação disponibilizada pelo Smithsonian e pela Universidade Metodista do Sul, que descobriu estes fósseis, sobre esta exposição, os ossos em exposição dão um importante contributo para explicar como era o mundo à época e são como “legendas” para um dos episódios mais violentos da história da formação dos oceanos, com destaque para o Atlântico Sul.

Os Mosasaurus (na foto, com figura humana para comparação do tamanho real) são um género de lagartos marinhos carnívoros, que podiam chegar aos 18 metros, que se dividem em várias espécies e viveram há mais de 90 milhões de anos e se crê terem entrado em extinção no final do Cretáceo – período compreendido entre os 145 milhões e os 66 milhões de anos atrás -, junto com os dinossauros.

O instituto que alberga esta exposição recorda que, não sendo Angola um local conhecido pelas suas descobertas de fosseis, isso não significa que deixe de ser um sítio de extraordinárias revelações para a ciência e que se ainda não é um país famoso nesta área, isso só acontece devido ao meio século que guerra que viveu até 2002, o que levou a que apenas um punhado de cientistas tivessem apostado na pesquisa nesta parte do mundo.

De acordo coma mesma fonte, os ossos fossilizados dos Mosasaurus encontrados nas costas rochosas de Angola foram enviados para os Estados Unidos pela Universidade Metodista do Sul, cujos cientistas trabalham nesta área em Angola desde 2005, que tem na sua posse o grosso dos ossos fossilizados encontrados.

O paleontólogo Louis Jacobs, da Universidade Metodista do Sul, em Dalas, Texas, disse, citado pelo site da NPR, que estes animais fossilizados encontrados na linha da costa de Angola “explicam-nos como era o oceano nos seus primeiros tempos e como eram as primeiras criaturas que os habitaram”.

O esqueleto de um destes animais foi reconstruído propositadamente para esta o Instituto Smithsonian.

Contemporâneos destes monstros são algumas espécies de tartarugas e tubarões, bem como outros grandes répteis, mas os Mosasaurus são, segundo o paleontólogo, como o Tiranossauros Rex dos oceanos daquele tempo em terra firme, ou seja, eram os carnívoros no topo da cadeia alimentar de uma ferocidade incomparável.

Algumas partes da costa de Angola, segundo os autores da descoberta, são um “jackpot” para os paleontólogos, porque existem áreas, sem indicar quais, onde “por cada passo que se dá, encontra-se um fóssil”, onde “o chão está literalmente repleto de ossos e crânios fossilizados de gigantes marinhos e outros animais da antiguidade”.

A existência passada destes animais fossilizados resulta do facto de há 200 milhões de anos, o continente africano estar integrado no supercontinente denominado pela ciência Gondwana e, há cerca de 135 milhões de anos, este supercontinente se ter começado a desmembrar, gerando, entre outras geografias, África e a actual América do Sul, que se foram separando, formando no meio o Oceano Atlântico que hoje conhecemos, tendo sido formado num turbilhão de eventos violentos, gerando, por exemplo, fortes alterações no clima da Terra e, com eles, o surgimento de novas espécies animais ou a migração de umas quantas para locais até ai vazios de vida animal, como as criaturas marinhas. (Novo Jornal)

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