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Desarrumar o vosso olhar

Hoje, decidi desarrumar o vosso olhar. Hoje, decidi, desarrumar o vosso sossego. Decidi provocar-vos com a minha pena... Há muito que não fazia… Tentei exilar-me. Tentei exilar o meu lado irreverente. Quis ser paisagem, mas não consegui.

O comboio das inquietações instigou-me e embebida de questionamentos, pus-me a refletir, sobre a actividade dos adidos de Cultura, no estrangeiro.

O que fazem eles? Afinal quem são eles?
Num país como o de Angola, onde a resposta é semba nos nossos ouvidos:
-“Estamos em crise, o país não tem dinheiro…blá, blá blá… o país está a canalizar recursos, prendeu-se o fulano e o sicrano também.”

E, eu digo:– adidos que nada fazem ninguém exige nada!

A crise económica tem sido a almofada para adormecer o sono de alguns, ou não ver, a incompetência de alguns, servidores do Estado no estrangeiro.

Sob a capa de diplomatas emigram-se em si próprios…
Fazem selfies a toda hora. Maquilham os lábios e num coro de esperanças retocam projectos culturais inacabáveis.

O tom jocoso com que nos falam, a nós, os simples mortais que vivemos da Arte, já nada nos impressiona.

Tais diplomatas culturais chegam a ser mais marionetas que nós, que vivemos da Arte de representar…

Enquanto nós, ardemos nos sonhos da nossa inquietude, de não poder concretizar, a Arte em embrião, estes, encontram em nós, alvo a abater, porque incomodamos com a nossa Arte, de fazer acontecer, mesmo sem apoios!

Quantos de nós, somos Hécate, em nossas súplicas de patrocínio?

Outros, ainda, aprestam-se aos feitiços para não mais terminar uma missão.
Diplomatas turvos que me comovem, ante a sua displicência em quase tudo, que seja cultural …
Para além da incompetência, ainda conseguem acordar o racismo que até então, parecia que não existia, entre nós, os artistas angolanos…

Os tais diplomatas culturais, alguns são colocados nos melhores lugares da Europa, por serem filhos de um nome, que há muito, já morreu na cena política angolana…

Não conhecem absolutamente nada, nem sobre Angola, nem sobre o país, onde são creditados!
São os diplomatas culturais que abundam, entre nós!
Mais uma epidemia para os angolanos. Quem deseja  fugir à poeria da Banda, é nomeado Adido Cultural.

Vivem do marxismo Cultural, excluem quem pensa diferente e, entre nós, simples artistas, que apenas queremos viver da nossa Arte, há neles um desiderato:
-o de nos separar, fazendo sentir, que alguns, são mais importantes que outros…

Assistimos ainda, a ascensão dos filhos de muhatas, primos do fulano de tal, que é da alta-roda da costura angolana, ou do estilismo sem estilo, quer estar  presente neste, ou naquele evento, apenas para dar glamôur.
Para falar sobre Ginga, Celestina, Dalomba ou Diakassembe emudecem, nas águas do Rio Kuanza, não sabem; nem onde começa, nem onde desagua…

E assim … vivemos nós, os artistas, que se tornaram guizos silenciosos. Aceitando este, ou aquele adido de Cultura.

Nós, não exigimos nada! Não exigimos nada!
Ficamos à espera da festa do 11 de Novembro, onde vamos abrir o nosso olhar, para contemplar o pitéu da banda, que nunca mais vimos, ou então dar aquele kandando, no mano, que por causa efeito da música angolana, consegue encobrir a depressão…

Hoje tentei acordar o teu olhar, se tens o teu sonho ainda íntegro, denuncia as falhas de uma diplomacia cultural ineficiente…

Temos muito para corrigir… porque tudo mesmo está mal…
Mas entre as coisas que estão mal, vale dizer que, já é tempo, de mandar embora os adidos de Cultura inoperantes.

Não conseguem ser garimpeiros aí, onde há um diamante! Assim mesmo está bom!?
Para que precisamos nós, de “costureiros de Cultura” que mal sabem alinhavar?

A razão sombria da nossa vergonha, nos países que nos acolheram, são vocês, falsos diplomatas culturais… Inoperantes!
Só sabem organizar desfile de misses, com o requinte camuflando prostituição e moda …

Se queres continuar a ser artista, qual guizo silencioso, adormeça o teu olhar, senão, diga não, aos adidos de culturas inoperantes!
Adido de Cultura que está espera que você morra, para fazer-te um elogio fúnebre, esse é adido de Cultura?

Oko! Kikulumesso.
Não seja guizo silencioso!
Diga não, a inoperância da diplomacia cultural! (Isabel Ferreira)

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