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Angola: Corrupção na admissão à Polícia Nacional vai ser investigada

Cerca de 2 mil angolanos do Bengo queixam-se de corrupção no processo de ingresso na Polícia Nacional, mas a corporação lava as mãos. Provedoria de Justiça investiga denúncias e admite desfecho favorável para os lesados.

Tudo começou no final da década 2000 quando o comandante provincial da Polícia Nacional de Angola decidiu criar um grupo de voluntários aspirantes a uma vaga na corporação.

Segundo relatos, muitos chegaram mesmo a usar o fardamento da Polícia Nacional, mas, para o espanto de alguns, na hora da admissão, os escolhidos foram outros.

Angola Symbolbild Polizei in CabindaMaioria dos candidatos selecionados no processo de ingresso da Polícia Nacional serão de Luanda

“Os candidatos mais valorizados eram de Luanda e tiraram-nos o lugar. A minoria que conseguiu entrar na polícia é de Luanda”, reitera o candidato Domingos Francisco.

Grupo recorreu à Provedoria de Justiça

O grupo de voluntários aspirantes faziam trabalhos voluntários de segurança durante a quadra festiva, cuidavam das esquadras e participavam nas campanhas de limpeza.

Sem a admissão e esgotadas as negociações com o comando local da Polícia Nacional, o grupo recorreu à Provedoria de Justiça.

“Graças a Deus, nós já não precisamos de fazer muita coisa, já encontramos o nome na lista, agora falta saber o que teremos em frente”, comenta o candidato Adilson Viegas que espera um final feliz para o caso.

O porta-voz da Polícia no Bengo, Paulo Miranda de Sousa, entende que este caso é um passivo herdado pela nova direção local da corporação e não acredita num possível enquadramento dos candidatos.

Afrika Paulo Miranda de Sousa, Polizeisprecher in Bengo, AngolaPaulo Miranda de Sousa, porta-voz da Polícia no Bengo

“Queremos aqui desencorajar que não há esta possibilidade, porque o ingresso a Polícia Nacional ou qualquer órgão não depende só do Ministério [do Interior] que precisa destes serviços. Hoje, quem dita essas políticas é o Ministério das Finanças”, adverte.

“Desfecho favorável”

Sem aceitar gravar entrevista, o provedor de Justiça no Bengo, Martinho Ferreira, avança que o processo esteve coberto de muitos vícios e a esta altura decorre uma espécie de “prova de vida”.

Segundo esta fonte, o caso será remetido para o comando geral da Polícia Nacional.

À DW África, Martinho Ferreira assegurou, no entanto, que tudo indica que haverá um desfecho favorável para os candidatos. (DW)

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