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“Temos sorte por Bolsonaro não ter causado mais estragos”

Eric Maskin, Nobel da Economia de 2007, considerou à Lusa ser uma sorte Jair Bolsonaro, na Presidência do Brasil há cerca de um ano, "não ter provocado mais estragos".

“Receio que, no geral, ele [Bolsonaro] esteja à altura das expectativas. Não mudou de posições, mostrou o quão ignorante é, o quão preconceituoso é, o quão extremo é. E acho que devíamos considerar-nos sortudos por ele não ter conseguido causar mais estragos do que já provocou”, afirmou Eric Maskin, em entrevista à Lusa.

O Nobel da Economia de 2007 falava à margem da 11.ª edição do ‘Encontro UECE Lisbon Meetings in Game Theory and Applications’, um evento anual que reúne os principais estudiosos que realizam investigações teóricas ou aplicadas no campo da teoria dos jogos, e que decorreu no ISEG, em Lisboa, entre os dias 07 e 09 de novembro.

Em outubro de 2018, Eric Maskin tinha dito que a possibilidade de Jair Bolsonaro ganhar as eleições brasileiras o apavorava e que o candidato de extrema-direita ameaçava destruir as próprias normas da democracia e levar o país de volta a um tempo mais sombrio.

Na entrevista à Lusa, quando questionado sobre os riscos da votação estratégica, que ocorre quando o eleitor vota num candidato para evitar a vitória de outro, mesmo preferindo um terceiro, o economista norte-americano respondeu que “o problema do voto estratégico é que coloca uma enorme pressão sobre os eleitores porque não têm apenas de saber o que defendem os candidatos e os partidos, mas também precisam de saber em quem os outros eleitores vão votar para saberem como devem votar, o que lhes dificulta a vida”.

O Nobel da Economia de 2007 disse também que “não é possível impedir a votação estratégica” e que “apenas se pode esperar que os eleitores estejam suficientemente informados para poderem votar estrategicamente de forma útil”.

Eric Maskin ganhou o Prémio Nobel da Economia em 2007, juntamente com Leonid Hurwicz e Roger B. Myerson, pelo seu trabalho nas bases da teoria do desenho de mecanismos, um ramo da teoria dos jogos que analisa casos em que os agentes económicos têm informação privada e a utilizam de forma estratégica.

Aquela formulação teórica permite distinguir se os mercados funcionam bem ou não, e ajudou os economistas a conceber mecanismos de mercado, como os leilões, e propor formas de regulação de mercado e procedimentos de votação com as propriedades desejadas. (Lusa)

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