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Súbita demissão de Archer Mangueira ainda sem explicação

O Governo do Presidente João Lourenço continua a manter silêncio sobre as razões do afastamento do até agora ministro das Finanças, Archer Mangueira, nomeado governador do Namibe.

As interrogações sobre o súbito afastamento do ministro intesificam-se tendo em conta que Mangueira era a nova face da política financeira do Executivo de João Lourenço que nas grandes capitais ocidentais como Washington e Londres tentou atrair para Angola investimentos e confiança na nova administração angolana.

Mangueira deveria participar num encontro em Washington na próxima semana tendo sido já substituido pela nova ministra, a até agora secretária de Estado das Finanças, Vera Daves.

A sua demissão surgiu dias depois de o secretário do MPLA para a Política Económica, Salomão Xirimbimbi, ter criticado uma alegada falta de envolvimento do de Mangueira na comunicação em torno do novo Imposto de Valor Acrescentado (IVA).

Aquela alta figura do partido no poder a admitiu que não havia o envolvimento pessoal do ministro das Finanças nessa comunicação, tendo recaído essa responsabilidade apenas sobre o director da Administração Geral Tributária (AGT).

Para Xirimbimbi, outras entidades “deviam estar mais e melhor envolvidas na campanha de informação em torno desta decisão difícil, mas necessária, que foi tomada pelo Executivo”.

Para o analista Rui Kandove, o aludido distanciamento de Archer Mangueira no processo de esclarecimento à sociedade sobre o IVA pode terá ditado o seu afastamento.

Kandove também admite que a latente convulsão social em resultado da carestia de vida pode ter forçado João Lourenço a sacrificar o seu ministro.

“Ele era o titular da pasta, a primeira pessoa nesse departamento ministerial e caberia a ele responder a todas as questões que têm a ver com o seu pelouro”, disse Kandove.

“Quando ele remete para os seus adjuntos está passar a responsabilidade política para os seus adjuntos”, acrescentou aquele analista, quem sublinhou, no entanto, que “o IVA é bem-vindo (porque) arrecada mais impostos” para o Estado..

Por seu lado, a analista de política e economia internacional, Emília Pinto é de opinião que as ameaças de manifestações que se sentem um pouco pelo país a favor de melhores condições de vida e a crítica do secretário-geral do MPLA não têm qualquer relação com a decisão presidencial.

“Os lobbys em Angola não têm peso suficiente para forçar o afastamento de um governante”, afirmou Pinto, quem fez notar ainda que o cargo de governador “é equivalente a um cargo de ministro”.

Por sua vez, o economista Faustino Mumbika afirma que o João Lourenço tem “apostado nas mesmas pessoas que trabalharam com o seu antecessor” e isso está a causar problemas.

“O presidente João Lourenço deveria ter trazido uma equipa nova para se criar expectativas novas”, conclui.

Em nota divulgada na terça-feira, 8, a Casa Civil da Presidência informou que, além da transferência de Mangueira para o cargo de governador do Namibe, em substituição de Carlos da Rocha Cruz, na Educação, Lourenço substituiu Maria Cândida Teixeira por Ana Paula Elias.

De saída está também José Manuel Vieira Dias Cunha do cargo de secretário de Estado para a Saúde Pública, sucedendo-lhe Franco Cazembe Mufinda.

A saída de Mangueira, que estava à frente das reformas económicas e considerado até agora um elemento essencial no processo em curso, aconteceu dias depois de ter sido muito criticado numa reunião do MPLA.

Na ocasião, fontes da VOA indicam que vários dirigentes criticaram o facto de Mangueira “não ter dado a cara” aquando da introdução do IVA e no momento em que o país enfrenta dificuldades económicas, com várias manifestações previstas para os próximos dias. (VOA)

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