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STP: Partido no poder pede esclarecimento do caso “30 milhões” já arquivado, mas oposição fala em encomenda

Assunto foi despoletado pelo activista angolano Rafael Marques, quem, segundo o secretário-geral da ADI, caiu numa "armadilha política"

O acordo de 30 milhões de dólares entre o Estado de São Tomé e Príncipe e a China Internacional Fund, assinado em 2015 pelo Governo do antigo primeiro-ministro, Patrice Trovoada, voltou à ribalta depois de o Ministério Público (MP) ter arquivado o processo em 2019.

O alegado caso de corrupção voltou a ser notícia recentemente no blogue “Maka Angola” do jornalista e activista angolano Rafael Marques.

O antigo ministro das Finanças fala em “armadilha politica”.

Na semana passada, o primeiro-ministro, Jorge Bom Jesus, pediu ao Ministério Público que esclareça definitivamente o caso e nesta quinta-feira, 28, em conferência de imprensa, o partido no poder exigiu a reabertura do Processo.

Pela voz da secretária-geral, Filomena Monteiro, o MLSTP-PSD, partido no poder, considera que o caso que envolveu o antigo primeiro-ministro, Patrice Trovoada, e os ex-ministros das Finanças, Américo Ramos, e das Infraestruturas, Carlos Vila Nova, actual Presidente da República, carece de novas investigações.

“Na sequência das notícias publicadas muito recentemente pelo jornalista angolano, Rafael Marques numa rádio alemã exortamos o Ministério Público do nosso país a reabrir o processo”, afirmou Monteiro.

Depois do arquivamento pelo MP, o processo com ramificações em Angola através da Petrolífera Sonangol está agora a ser investigado pela Procuradoria Geral da República daquele país, mas o procurador-geral, Hélder Pitta Grós, garantiu nesta quarta-feira à imprensa que “ainda ninguém foi constituído arguido” e adiantou que a instituição que dirige está a trabalhar com a sua congênere são-tomense para a descoberta da verdade.

Ouvido pela VOA sobre a publicação do blogue de Rafael Marques que despoletou novamente o caso, o antigo ministro das Finanças de São-Tomé e Príncipe, Américo Ramos, considera que o jornalista angolano, que esteve recentemente em São Tomé e Príncipe, “caiu numa armadilha política”.

“Esta notícia foi encomendada. O jornalista só ouviu dirigentes do partido no poder que são os interessados nesta mentira com o objetivo de denegrir os dirigentes da ADI neste período eleitoral”, disse Ramos, também secretário-geral do maior partido da oposição são-tomense que escreveu a Rafael Marques, acusando o jornalista angolano de parcialidade.

São Tomé e Príncipe: ADI exige a libertação do antigo ministro Américo Ramos

“Ele respondeu ao meu e-mail e prometeu publicar a minha versão sobre esta história mal contada”, informou à VOA o antigo Ministro das Finanças.

Para analista político, Liberato Moniz, é estranho o facto de a publicação de Rafael Marques não trazer qualquer dado novo sobre este alegado caso de corrupção que remonta há 2015.

“Tendo o Ministério Público são-tomense arquivado o caso depois de ter investigado os mesmos elementos publicados novamente por Rafael Marques, não vejo a razão para reabrir o processo com base nesta notícia”, afirmou.

De recordar que no âmbito deste processo, o antigo ministro das Finanças, Américo Ramos, foi detido pela Polícia Judiciaria de São Tomé e Príncipe, tendo permanecido 3 meses na cadeia sem qualquer acusação do Ministério Público que posteriormente ordenou o arquivamento do processo por inexistência de provas criminais. (VOA)

Por: Óscar Medeiros

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