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“Resolução de conflitos em África passa por Angola” – Mário Pinto de Andrade

Numa altura em que termina hoje, segunda- feira, 11, em Addis Abeba, a “32ª Cimeira Ordinária da Conferência dos Chefes de Estado e de Governo da UA”, o especialista em relações internacionais, explicou em exclusivo a OPAíS, a importância de Angola na resolução dos confl itos em África

Mário Pinto de Andrade explicou que Angola, como membro da União Africana (UA), tem tido um papel central no sistema da arquitectura de paz e segurança da organização. O especialista em relações internacionais disse que o país várias vezes ocupou a vice-presidência do órgão para a segurança da UA, desde 2002, acrescentando que esse órgão – em função dos conflitos prevalecentes no continente – tem um peso de decisão no aconselhamento do presidente da UA, sobretudo em como a organização pode intervir na resolução de conflitos, conciliando os interesses da UA com as organizações regionais.

Entretanto, o especialista reconheceu o engajamento de Angola, destacando o seu exercício de opinião para a resolução dos conflitos em África. “O facto de estarmos na arquitetura de paz da UA, não nos esqueçamos que também estamos numa arquitetura de segurança da África Central, da SADC e da região dos Grandes Lagos. Estando nestas subestruturas regionais e também na estrutura central, de facto temos aí uma voz estratégica importante”, referiu Pinto de Andrade, para quem os países africanos, sobretudo da África subsariana, reconhecem o papel que Angola tem tido, em relação à ajuda para a resolução de conflitos. A título de exemplo, mencionou a intervenção de Angola em vários países em conflito, como a República Democrática do Congo (RDC), no Congo Brazzaville, Burundi, República Centro Africana e, no Lesoto.

“Angola teve sempre um peso central, fundamentalmente como mediador enquanto Estado soberano, ou como mediador, fazendo parte de delegações quer no âmbito da UA, da SADC, da região dos Grandes Lagos, ou no âmbito da África Central”, disse. Mário Pinto de Andrade referiu que as organizações internacionais, como a União Europeia e as Nações Unidas, reconhecem o papel importante de Angola como um Estado Central que deve ter uma voz a ser levada em consideração para encontrar soluções na resolução de conflitos africanos. Ressaltou que estas organizações, e não só, reconhecem que Angola pode, e deve, continuar a ser um centro de decisão. “A solução para os conflitos pode ter sempre uma opinião angolana. Penso que isto é relevante.

Foi no passado com o Presidente José Eduardo dos Santos e está ser agora, também, com o Presidente João Lourenço”, referiu. Mário Pinto de Andrade referiu que os 17 anos de paz, bem como a realização de eleições deram credibilidade ao país, tanto a nível interno, como externo. Com isso, a imagem do país melhorou. O especialista explicou que um dos maiores problemas dos países africanos é que as estabilidades às vezes são cíclicas, demoram algumas vezes cinco anos e voltam a ter conflitos. “A RCA, mesmo tendo feito eleições, não tem estabilidade, o Burundi também”, exemplificou. Mário Pinto de Andrade acrescentou que o combate à corrupção e a impunidade que tem sido levado a cabo pelo Presidente da República de Angola vem a acrescer mais-valias a credibilidade do país.

Do ponto de vista internacional, olha-se para Angola como um país de referência no continente africano e, para o especialista, esta situação deve orgulhar os políticos angolanos. “Quanto mais estabilidade interna tivermos, mais o mundo acredita em nós”, referiu. Por outro lado, explicou que Angola é hoje também responsável pela Agricultura e Alimentação na organização. Para o especialista, o facto de mais de um terço da população africana viver com menos de um dólar/dia, leva a que a fome seja considerada um dos principais problemas do continente. Neste sentido, referiu que o país tem estado a contribuir para descrever melhor a realidade africana e aquilo que o continente pode fazer para sair do sub-desenvolvimento, fundamentalmente de África, e poder adquirir uma segurança alimentar que hoje não tem. (O País)

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