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Rached Ghannouchi nomeado presidente do Parlamento tunisino

O presidente do partido islamita tunisino, "Ennahdha", Rached Ghannouchi, foi eleito novo presidente da Assembleia dos Representantes do Povo (ARP) durante a sessão inaugural da legislatura 2019-2024, soube a PANA de fonte oficial em Túnis.

Eleito quarta-feira última, o líder islamista, de 78 anos de idade, obteve 123 votos dos 207 deputados que participaram na votação porque os 10 eleitos restantes depositaram boletins brancos.

Três outros canditados estavam em competição, designadamente Ghazi Chaouachi, da Corrente Democrático, recolheu 45 votos, Abir Moussi, do Partido Democrático Livre (PDL), descendente da Mobilização Constitucional Democrática (RCD) do ex-Presidente tunisino Ben Ali, ocupou a terceira posição com 21 votos, enquanto Marwen Feldel, do partido “Tahya Tounes”, do primeiro-ministro cessante, Youssef Chahed, obteve 18 votos.

Apesar de liderar os resultados das eleições legislativas organizadas em outubro último, Ennahdha ganhou apenas 52 assentos, longe da maioria de 109 votos requerida para a eleição do seu candidato.

Também teve de colaborar com o partido “Qalb Tounes” (No Coração da Tunísia) do magnata da imprensa Nabil Karoui, posicionado  no segundo lugar, no termo do  escrutínio legislativo, com 38 assentos, além dos 22 deputados da “Coligação da Dignidade”, dirigida por um advogado islamista, Seifeddine Makhlouf, e de vários outros “independentes” de conotação islamista.

Antes, Ennahdha excluía qualquer aliança com qualquer formação cujos líderes estivessem suspeitos de corrupção, em alusão ao presidente Qalb Tounes, processado por branqueamento de capitais e fuga ao fisco.

Candidato derrotado durante o recente escrutínio presidencial, Nabil Karoui foi detido durante mais de um mês e meio antes de ser liberto a alguns dias das eleições.

Ennahdha que obteve o maior número de assentos nas últimas eleições legislativas,  deve, segundo a Constituição, designar o primeiro-ministro que dirigirá o próximo Governo.

A personalidade que for escolhida no seu seio ou fora da sua formação política, será apresentada nos próximos dias ao chefe do Estado, Kais Saied, que a submeterá por sua vez à aprovação da Assembleia Nacional.

O calendário do novo Parlamento comporta o exame de vários projetos urgentes, dos quais o exame até 10 de dezembro próximo da nova lei de finança e o orçamento do Estado para 2020, além de outras questões pendentes relativas à instalação das instituições soberanas, nomeadamente o Tribunal Constitucional, que se arrasta há mais de quatro anos, devido a divergências entre bancadas parlamentares.

Antes de entregar a presidência do Parlamento, o presidente interino desta entidade cessante, Abdelfattah Mourou, qualificou o ano de 2020 de “delicado” devido à situação socioeconómica crítica prevalecente na Tunísia, apelando aos novos eleitos para evitarem obstáculos em que estiveram mergulhados os seus predecessores. (Panapress)

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