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Quando a culpa morre solteira

Cada vez mais temos de nos capacitar que os tempos que vivemos são outros. Não se pode brincar eternamente com a vontade popular, com o sofrimento alheio, achando que podemos dar a volta ao texto e ao contexto.

A abertura proporcionada pelo Presidente João Lourenço à reestruturação da economia, a ruptura com o passado de corrupção, das ordens superiores, dos grandes senhores disto e daquilo não deve continuar a fazer parte das práticas governamentais, pois foram muitos os erros cometidos ao longo dos anos, que põem em causa o passado glorioso do MPLA, no processo de conquista da independência e da liberdade que hoje ostentamos enquanto povo, senhor e dono de um território rico em recursos e diversificado do ponto de vista cultural.

Não podemos trair aqueles que verteram o seu sangue em prol do ideal da independência e dos valores a ela associados, que galvanizaram a aderência popular.

Estas palavras são dirigidas àqueles que nos corredores do poder ainda continuam a persistir nos erros, nos desvios de conduta e na subversão dos valores positivos da grande força política que é o MPLA.

São dirigidas aos senhores que a coberto da lei, desvirtuam o sentido das coisas, pondo em cheque todo um processo de reestruturação da economia, defendida pela actual liderança do MPLA.

Estamos a falar abertamente dos esquemas montados para desvirtuar os propósitos do programa de reestruturação da Economia, mais especificamente do PAC, que consagra o apoio às pequenas e médias empresas.

Estamos a falar da simplificação dos procedimentos, para permitir que a classe empreendedora beneficie dos apoios institucionais e se torne num alargado grupo de agentes económicos de verdade, que vão dar emprego a muitos jovens chefes de família, que pululam nas ruas da amargura, com a venda ambulante, para levarem a casa, o pão nosso de cada dia, ganho com sacrifícios mil.

Nas fábricas virtuais, transformadas em armazéns de produtos manufacturados, porque alguém pensou que o melhor para Angola seria importar tudo, até a água mineral, porque o petróleo era fonte inesgotável.

A economia angolana deixou de falar alto, porque a indústria que lhe dava suporte transformou-se numa manta de retalhos, com meia dúzia de titulares de cargos públicos a guindarem-se ao controlo das instalações fabris de bandeja, transformando-as em armazéns de retém de produtos importados, onde os desempregados vão abastecer-se em nome do combate diário da venda ambulante.

As antigas fábricas que promoveram o desenvolvimento económico de Angola constituem um importante activo, que dá guarida ao processo de importações de Angola, transformando-a num mercado de bugigangas e de roupa de fardo, parte dela, é curioso, apanhada nos contentores de lixo, que depois de desinfectada em grandes caldeiras é cintada e embalada em balões e despachada para Luanda, onde o negócio dá sustento a famílias de baixa renda.

Este negócio de ocasião matou a indústria têxtil e consequentemente um nicho de mercado importante, que era a produção do algodão que alimentava a emergente indústria têxtil, que tinha na Cotonang, a sua expressão máxima. Hoje o angolano comum veste roupa de fardo e não reclama da desgraça.

O Governo usando das suas prerrogativas gizou um programa de revitalização da economia, com prioridades assentes nas pequenas e médias empresas. O melhor deles chamava-se Angola Investe e em torno dele foi feita a maior propaganda e publicidade, levando alguns especialistas a considerá-lo o melhor, consagrado a preencher o vazio existente no modelo económico angolano.

O Ministério da Economia estruturou-se de tal modo que tudo parecia dar certo, com a imposição de taxas de juro muito apelativas, inferiores a 5%.

Acontece que o seu lançamento aconteceu depois de uma grande manobra de bastidores que permitiu que, titulares de cargos públicos, familiares, amigos, militantes do partido maioritário, açambarcassem as garantias de crédito, fazendo com que, por ocasião do lançamento oficial do programa, estivesse esgotado o plafond de suporte às pequenas e médias empresas, certificadas pelo INAPEM.

Resultado: os beneficiários foram aqueles que estiveram inseridos nos bastidores do esquema montado para atender os bilhetinhos e as ordens superiores.

Hoje repete-se precisamente a anomalia. Através dos registos on line boa parte dos beneficiários não consegue efectuar o cadastramento on line, devido aos erros de sistema, que impedem o registo com êxito.

É necessário, pois que haja um melhor controlo para evitar os aproveitamentos habituais nestes registos on line, que não dão certo ou estejam viciados não satisfazendo os destinatários, mas uma casta que se movimenta nas secretarias, através das clientelas instaladas.

Que o Governo confira transparência ao processo, instalando uma task force, para desmantelar os esquemas habituais, que tornam os programas, reféns de interesses obscuros.

Que o ministro da Economia assuma a responsabilidade de não deixar cair o processo, que no Programa Angola Investe se constituiu numa verdadeira decepção para os destinatários, que relatam casos de concessão de garantias de créditos a salões de cabeleireiro, pelo menos na região de Luanda, evitando que a culpa não morra sempre solteira! (Facebook)

 

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