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Presidente da Guiné-Bissau ainda não conseguiu promover Unidade Nacional e consenso

O sociólogo guineense Diamantino Domingos Lopes considerou hoje que o Presidente da Guiné-Bissau, Umaro Sissoco Embaló, não conseguiu ainda promover a unidade nacional e o consenso, num balanço negativo ao seu primeiro ano de mandato.

“A missão do Presidente da República depois de um processo eleitoral tão conturbado, com um nível de divisão social muito grande era de mobilizar o consenso e não conseguiu isso porque não começou como deveria”, afirmou.

Diamantino Domingos Lopes referia-se à tomada de posse, em 27 de Fevereiro de 2020, quando ainda decorria um recurso de contencioso eleitoral no Supremo Tribunal de Justiça, à demissão do Governo liderado por Aristides Gomes, que tinha saído das legislativas, realizadas em 2019, e a uma série de perseguições políticas ocorridas no ano passado, de acordo com organizações civis.

“Esse processo de mobilização de consenso nacional não foi conseguido pelo Presidente da República e se não conseguiu o essencial da sua missão que é de promover a unidade nacional, não se pode esperar um balanço positivo” do seu primeiro ano de mandato, salientou.

Para o analista, foram feitas algumas tentativas, incluindo investimentos públicos, como a reconstrução de estradas, mas aquelas melhorias são “elementares e não essenciais”.

“O essencial para a Guiné-Bissau é a promoção da unidade nacional, esse é o papel do Presidente e o Presidente não conseguiu e não conseguiu por vários motivos”, disse.

Os motivos, segundo o analista, são o facto de não ter conseguido “digerir as sequelas das eleições presidenciais” e por “agir emotivamente”.

“Até agora não conseguiu superar essas sequelas e isso influenciou negativamente as suas intervenções públicas. Sempre que aparece em público mina essa possibilidade de mobilização do consenso, em quase todas as suas intervenções”, afirmou.

Esta limitação, para Diamantino Domingos Lopes, tem “caracterizado negativamente” o primeiro ano de mandato do Presidente, mas também os problemas relacionados com a violação de direitos humanos aos quais o seu nome aparece associado.

O analista referia-se ao caso do deputado Marciano Indi, sequestrado por agentes de Estado, ao sequestro do bloguista conhecido por Doka Internacional, ao ataque à Rádio Capital e também ao sequestro e espancamento de dois activistas políticos, que acusaram publicamente um segurança do Presidente de os ter espancado no Palácio da Presidência.

“Quando acontecem essas coisas envolvendo o nome do Presidente da República acabam por minar o seu sucesso, acabam por comprometer a sua imagem que deveria ser de mobilização de consenso, não de torturar as pessoas, causar pânico, meter medo”, disse.

“É nessa perspectiva que uma parte da sociedade caracteriza o regime liderado pelo actual Presidente da República”, acrescentou.

Para o analista, o Presidente deve melhorar a sua actuação e a sua forma de abordar os assuntos.

“Precisa de ser um Presidente com um discurso mais conciliador, de mais mobilização do que de palavra de ordem, o contexto não é favorável para a palavra de ordem”, disse.

“É preciso mobilizar as pessoas, falar com as pessoas, sensibilizar, ter a capacidade de educar, ele tem de participar, fomentar a ressocialização da sociedade, visando uma maior integração e maior relação social e isso falta”, afirmou.

Umaro Sissoco Embaló tomou posse em 27 de Fevereiro quando ainda decorria um recurso de contencioso eleitoral no Supremo Tribunal de Justiça pelo seu adversário na corrida Domingos Simões Pereira, líder do Partido Africano para a Independência da Guiné e Cabo Verde (PAIGC).

Após a polémica tomada de posse, num hotel da capital guineense e com apenas alguns deputados presentes, o chefe de Estado demitiu o Governo de Aristides Gomes, formado na sequência das legislativas realizadas no mesmo ano e ganhas pelo PAIGC, e ordenou a instalação do Governo de Nuno Nabiam com a ajuda de militares. (ANGOP)

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