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PR no encontro com a comunidade no Cuito: Falta de emprego e de serviços condiciona o desenvolvimento

No último dia da visita à província do Bié, João Lourenço testemunhou a inauguração do novo Sistema de Abastecimento de Água do Cuito, que prevê a construção de mais de 7.500 novas ligações em diversos bairros, incluindo a centralidade

Os representantes das diferentes comunidades do município do Cuito apresentaram ontem, em reunião do Conselho de Auscultação realizada na capital da província, preocupações transversais e focaram as intervenções na falta de emprego, educação e formação profissional e no acesso a cuidados adequados de saúde pública.

O Conselho de Auscultação da Comunidade (CAC) contou com sala quase cheia e com a participação do Presidente João Lourenço. Pedro Sabino, representante dos Antigos Combatentes, aproveitou a ocasião para apresentar dificuldades ao nível do acesso à habitação, emprego, assistência social e saúde condignas.

“Grande parte dos antigos combatentes, especialmente os mais idosos, vivem sem meios de subsistência adequados, o que potencia o sentimento de injustiça e exclusão social”, garantiu Pedro Sabino. Na resposta à sua intervenção, o Titular do Poder Executivo lembrou que, no que diz respeito à habitação, o Estado não pode ser o único agente a construir moradias para os cidadãos.

“O Estado não vai deixar de edificar habitação social. Mas o sector deve abrir-se à actividade privada imobiliária e contar com a colaboração dos cidadãos ao nível da autoconstrução dirigida”, disse. O Presidente da República reconheceu que os cidadãos angolanos têm vindo a empobrecer nos últimos anos e que há a necessidade de “produzir muito mais”.

“Não podemos esperar que o Estado seja responsável por tudo”, afirmou. Gonçalves Cassoma, conhecido empresário local que representou o sector privado no encontro, lembrou as dificuldades que decorrem da “excessiva burocracia e lentidão administrativa”.

“Devemos transformar a administração pública num factor de desenvolvimento”, defendeu o empresário. O empresário reforçou também a necessidade de apostar na industrialização e na produção agrícola. “Neste sentido seria importante concluir a construção do Pólo Industrial do Cunje”, disse Cassoma.

Do lado da sociedade civil foram reforçadas as lamentações sobre a falta de estradas, de energia eléctrica, de emprego e de oportunidades económicas para a população. No encontro aconteceram ainda intervenções de representantes das mulheres (que lembraram as consequências da fuga à paternidade), das autoridades tradicionais e das entidades religiosas.

Todas as apresentações foram comentadas individualmente por João Lourenço. “A sociedade civil tem de nos alertar para o que não está bem”, lembrou. O CAC do Cuito tem 147 membros. É um espaço de concertação entre a administração pública e os cidadãos, com o objectivo de definir prioridades e alargar o debate ao nível local. Mais água para o Cuito A captação de água implementada no rio Cuquema foi inaugurada ontem, no Cuito, província do Bié.

Está previsto que funcione 20 horas por dia e foi construída ao longo dos últimos 18 meses. O valor do contrato é de 40 milhões de dólares. A inauguração foi presenciada pelo Presidente da República e o novo Sistema de Abastecimento de Água do Cuito prevê a construção de mais de 7.500 novas ligações em diversos bairros da c idade, incluindo a centralidade do Cuito.

No total, o Ministério da Energia e Águas prevê que a nova infra-estrutura beneficie mais de 100 mil pessoas. Segundo o secretário de Estado das Águas, Lucrécio Costa, a cidade do Cuito estava numa situação de pré-colapso ao nível da distribuição de água. “Neste momento prevemos chegar a um total de 16 mil ligações para uma necessidade prevista de 45 mil ligações para cobrir a procura na cidade”, disse.

O governante lembrou que é necessário expandir a rede de distribuição de água para os bairros da Juventude, Paraíso e São José. Após à inauguração, João Lourenço aproveitou a ocasião para conhecer as instalações do Sistema de Abastecimento de Água do Cuito, que foram construídas por uma empresa de origem chinesa. A visita durou cerca de 30 minutos. (Jornal de Angola)

Por: Miguel Gomes

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