AngolaDestaquesPolíticaPortugalSociedade

Motorista de autocarro que denunciou Cláudia Simões espancado em Massamá

O motorista do autocarro que, no domingo passado, denunciou à Polícia a passageira Cláudia Simões, que alega ter sido agredida pelo agente da PSP que a deteve, foi agredido em Massamá.

Ao que o JN apurou, o homem foi agredido quando terminava o serviço, na Avenida 25 de Abril, em Massamá.

A PSP enviou para o local um contingente para garantir a segurança pública.

A mulher ficou indiciada do crime de resistência e coação sobre agente da autoridade, enquanto o agente envolvido “não foi constituído arguido”, avançou à agência Lusa fonte da Direção Nacional da Polícia de Segurança Pública (PSP). Fonte policial disse que “o caso transitou para processo comum [segue para investigação]”, acrescentando que, devido às versões contraditórias apresentadas pela mulher e pelo polícia, está a decorrer um inquérito para averiguar as circunstâncias da ocorrência.

Neste âmbito, a investigação inclui o interrogatório de todas as pessoas envolvidas, assim como a avaliação da “extensão dos ferimentos” da mulher detida e do polícia, ambos assistidos no Hospital Fernando da Fonseca, na Amadora, e quais as eventuais mazelas para o futuro.

Os contornos do incidente que envolveu Cláudia Simões, 42 anos, e um agente da Polícia no domingo, na Amadora, estão por esclarecer.

Cláudia contou ter sido agredida na rua, à saída de um autocarro, e num carro-patrulha, por um agente da PSP, depois de a filha de oito anos se ter esquecido do passe em casa. “Nós entrámos no autocarro e quando a minha filha viu que não tinha o passe com ela, o motorista disse para sair.

Eu respondi-lhe que ela tem o passe e que quando chegássemos ao nosso destino que o meu filho ia lá estar com o passe da menina”relatou ao jornal “Contacto” , com o rosto desfigurado e os lábios rebentados. No fim da viagem, durante a qual terá ouvido uma série de impropérios – “vocês, pretos, macacos, ficam aqui a encher o nosso país” -, o condutor saiu da viatura e chamou um agente da Polícia que estava na zona.

O filho de Cláudia estava a chegar com o passe “mas o polícia não deixou ninguém explicar nada”. De acordo com Cláudia, exigiu-lhe a identificação, tendo esta respondido que nada de mal havia feito. “Vais para a esquadra comigo”, terá dito o agente, antes das alegadas agressões.

“Ele agarrou-me, fez um mata-leão e caiu comigo de costas”, denuncia a mulher, que tentou resistir enquanto sufocava. “Ele vai-me matar”, recorda. Ao lado, ouvia a filha, Vitória, a pedir ao polícia que não matasse a mãe.

Ainda segundo a versão de Cláudia Simões, o mesmo agente terá empurrado a criança e continuou a apertar o pescoço da mulher. Admite que mordeu a mão do agente, como diz um comunicado da PSP, porque estava a sufocar e pensava que ia morrer.

De seguida, foi algemada e levada para a esquadra. “Quando me meteram no carro, eu não queria aquele polícia comigo e eles garantiram-me que ele ia noutro carro mas mentiram-me. Ele entrou para o meu lado enquanto outros dois agentes iam à frente.

Durante o caminho todo fui esmurrada enquanto estava algemada. Ele gritava ‘filha da puta’, ‘preta do caralho’ e ‘cona da tua mãe’ enquanto me dava socos. Eu estava cheia de sangue e gritava muito. Então, subiram o volume da música para não me ouvirem [gritar] na rua”.

Face aos ferimentos com que Cláudia ficou, a Polícia chamou uma ambulância, para conduzi-la ao Hospital Amadora-Sintra, onde diz também ter sido destratada por uma médica, que se terá recusado a entregar-lhe o relatório do que observou, alegando que isso era responsabilidade do tribunal. E perante o pedido desesperado de Cláudia para contactarem a família, porque estava “aterrorizada” e “achava que ia morrer”, a médica terá dito que não tinha nada a ver com o assunto.

A Direção Nacional da PSP informou, em comunicado, que o polícia acusado de agredir a mulher detida “foi abordado pelo motorista de autocarro de transporte público que solicitou auxílio em face da recusa de uma cidadã em proceder ao pagamento da utilização do transporte da sua filha, e também pelo facto de o ter ameaçado e injuriado”.

“Este polícia, depois de se inteirar da versão dos acontecimentos prestada pelo motorista, dirigiu-se à cidadã”, que reagiu de forma “agressiva” perante a iniciativa do polícia em tentar dialogar, “tendo por diversas vezes empurrado o polícia com violência, motivo pelo qual lhe foi dada voz de detenção”.

A partir do momento da detenção da mulher, outros cidadãos que se encontravam no interior do autocarro tentaram impedir a ação policial, “pontapeando e empurrando o polícia”, disse a Direção Nacional da PSP. Para fazer cessar as agressões, o polícia algemou a mulher, “utilizando a força estritamente necessária para o efeito face à sua resistência”.

“Salienta-se que a mesma, para se tentar libertar, mordeu repetidamente o polícia, ficando este com a mão e o braço direitos com marcas das mordidelas que sofreu e das quais recebeu tratamento hospitalar”, avançou a PSP. (Jornal de Notícias)

As agressões foram filmadas e divulgadas no YouTube.

Mostrar mais

Notícias relacionadas

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado.

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Fica a saber como são processados os dados dos comentários.

Close

Adblock Detected

Please consider supporting us by disabling your ad blocker