DestaquesDOSSIER CORRUPÇÃOPolíticaPortugal

João Rendeiro já está no tribunal para audiência sobre a extradição

O antigo presidente do Banco Privado Português (BPP) João Rendeiro regressou esta sexta-feira ao tribunal de Verulam para o início do julgamento do processo de extradição para Portugal, após alguns dias marcados por problemas de saúde.

O ex-banqueiro teve febre  e foi visto na quarta-feira por uma enfermeira na prisão de Westville, em Durban, África do Sul. A advogada June Marks criticou a ausência de uma assistência médica mais abrangente por parte das autoridades locais, face à existência de um problema de coração.

“Não sabemos o que o causou e não pudemos obter cuidados médicos adequados. Só lhe deram alguns comprimidos”, disse à Lusa a mandatária de João Rendeiro, lamentando que não tenha sido realizado um teste de detecção do vírus SARS-CoV-2.

“Deveria ter havido um teste, mas eles não lhe fizeram nenhum teste”, disse, notando que o antigo líder do BPP tinha as duas doses da vacina contra a covid-19, mas não levou uma dose de reforço.

A PGR informou na última semana que estava a ponderar o envio de uma equipa de magistrados, mas não voltou a adiantar mais informações sobre este tema. No entanto, a advogada de João Rendeiro prometeu opor-se à presença desta equipa de magistrados portugueses, referindo que o Ministério Público sul-africano deve ser independente.

EXCLUSIVO SIC: GUARDAS DA CADEIA DE JOÃO RENDEIRO RELATAM ESQUEMAS DE SUBORNOS

Segurança a troco de subornos. É esta a realidade com que João Rendeiro se depara na prisão de Westville, na África do Sul, segundo os guardas prisionais da cadeia.

Detido em 11 de Dezembro na cidade de Durban, após quase três meses fugido à justiça portuguesa, João Rendeiro foi presente ao juiz Rajesh Parshotam, do tribunal de Verulam, que lhe decretou no dia 17 de dezembro a medida de coação mais gravosa, colocando-o em prisão preventiva no estabelecimento prisional de Westville.

O ex-banqueiro foi condenado em três processos distintos relacionados com o colapso do BPP, tendo o tribunal dado como provado que retirou do banco 13,61 milhões de euros. Das três condenações, apenas uma já transitou em julgado e não admite mais recursos, com João Rendeiro a ter de cumprir uma pena de prisão efetiva de cinco anos e oito meses.

João Rendeiro foi ainda condenado a 10 anos de prisão num segundo processo e a mais três anos e seis meses num terceiro processo, sendo que estas duas sentenças ainda não transitaram em julgado.

O colapso do BPP, em 2010, lesou milhares de clientes e causou perdas de centenas de milhões de euros ao Estado.

Exclusivo SIC: Guardas da cadeia de João Rendeiro relatam esquemas de subornos

“Quem tem dinheiro, é um rei em qualquer sítio”.

Segurança a troco de subornos. É esta a realidade com que João Rendeiro se depara na prisão de Westville, na África do Sul, segundo os guardas prisionais da cadeia. 

Em entrevista exclusiva à SIC, os funcionários falam de um esquema de subornos entre reclusos.

Há ataques e esfaqueamentos na prisão. Os detidos que querem protecção, têm de pagar. As condições não se alteram porque são iguais para todos. Mas a vida de um detido pode tornar-se mais fácil a troco de dinheiro”, explica, à SIC, um dos guardas prisionais de Westville.

“As condições lá dentro são más. Têm de dormir no chão. Mas penso que ele [João Rendeiro] deve estar a ser bem tratado porque tem dinheiro. Quem tem dinheiro, é um rei em qualquer sítio”, conclui.

Ao que a SIC apurou, João Rendeiro está numa cela com, pelo menos, outros 40 detidos, devido à sobrelotação da prisão de Westville. Tem direito a três refeições por dia, recebe visitas apenas dos advogados e sai para se apresentar em tribunal.

O processo de extradição do antigo presidente do Banco Privado Português começa a ser discutido na sexta-feira, 21 de Janeiro.  (SIC Notícias)

Tags
Mostrar mais

Notícias relacionadas

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado.

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Fica a saber como são processados os dados dos comentários.

Close

Adblock Detected

Please consider supporting us by disabling your ad blocker