Política

GUERRA COLONIAL: O 4 de Fevereiro em Angola: a história de uma conspiração

Há 60 anos, o assalto às prisões de Luanda falhou, mas tornou-se o símbolo do arranque da luta pela independência. A SÁBADO conta-lhe episódios desconhecidos, as superstições e os segredos dos preparativos. Parte 1.

Há exactamente 60 anos, um grupo de angolanos, com armas rudimentares, atacou as prisões de Luanda e a esquadra principal da polícia, numa ação sem resultados imediatos palpáveis, uma vez que a insurreição foi dominada pelas forças policiais, mas que marcou simbolicamente o início de um conflito que opôs três movimentos emancipalistas ao exército português ao longo de 14 anos.

A SÁBADO divulga hoje alguns pormenores desconhecidos da conspiração de 4 de fevereiro, relatados por alguns dos seus intervenientes, como Afonso Dias da Silva, homem muito próximo do cónego Manuel Mendes das Neves, vigário-geral da arquidiocese de Luanda, considerado o “líder e inspirador” da insurreição. Num documento inédito, de testemunho pessoal, Dias da Silva dá uma versão detalhada dos acontecimentos, incluindo a concordância do cónego com a insurreição de 4 de fevereiro.

Angola, 1954
“Em 1954, vivia-se o final do cacimbo, quando emissários da União dos Povos de Angola (UPA), vindos do então Congo belga, surgiram em Luanda e se encontraram com o cónego Manuel Mendes das Neves, vigário-geral da arquidiocese de Luanda, pondo-o ao corrente de que se iria dar início à luta política de libertação nacional de Angola.

Pediam ao cónego o beneplácito de Luanda para aquela iniciativa política. O cónego Manuel das Neves, missionário e político influente nos círculos africanos, há longos anos que mantinha consigo o facho da luta política pela emancipação do país.

E é assim que o cónego Manuel Mendes das Neves estabelece coligação política com os angolanos congoleses e não só, fixados no exterior, formando o eixo político Luanda-Leopoldville.

Vivia-se na altura a euforia dos preparativos da conferência afro-asiática de Bandung, a ter lugar em abril do ano seguinte” – escreve Dias da Silva.

Angola, 1954
“Em 1954, vivia-se o final do cacimbo, quando emissários da União dos Povos de Angola (UPA), vindos do então Congo belga, surgiram em Luanda e se encontraram com o cónego Manuel Mendes das Neves, vigário-geral da arquidiocese de Luanda, pondo-o ao corrente de que se iria dar início à luta política de libertação nacional de Angola.

Pediam ao cónego o beneplácito de Luanda para aquela iniciativa política. O cónego Manuel das Neves, missionário e político influente nos círculos africanos, há longos anos que mantinha consigo o facho da luta política pela emancipação do país.

E é assim que o cónego Manuel Mendes das Neves estabelece coligação política com os angolanos congoleses e não só, fixados no exterior, formando o eixo político Luanda-Leopoldville.

Vivia-se na altura a euforia dos preparativos da conferência afro-asiática de Bandung, a ter lugar em abril do ano seguinte” – escreve Dias da Silva.

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