ÁfricaBrasilDestaquesPolítica

Governador do Rio de Janeiro suspeito de fraude

Wilson Witzel, acérrimo crítico de Bolsonaro, é um dos alvos da investigação sobre desvio de fundos para o combate à pandemia.

O governador do estado do Rio de Janeiro, Wilson Witzel, um dos principais críticos da atuação do presidente Jair Bolsonaro no combate à pandemia, foi esta terça-feira alvo de uma grande operação da Polícia Federal (PF) contra alegadas fraudes em ações de combate ao coronavírus. Não houve detenções, mas a PF cumpriu mandados de busca e apreensão contra Witzel, a mulher dele, Helena, e vários empresários suspeitos de participação nas fraudes.

Pedida pelo procurador-geral da República, Augusto Aras, e autorizada pelo Superior Tribunal de Justiça, a operação foi levada a cabo por 15 equipas de agentes da PF de Brasília enviadas ao Rio e não por agentes locais. Ao amanhecer, os agentes invadiram a residência oficial de Witzel, a sede do governo, a casa particular do governador, o escritório da mulher dele, que é advogada, o do empresário Mário Peixoto, e a sede da organização social Iabas, a quem foi adjudicada a construção de sete hospitais de campanha para doentes com Covid-19, a maioria dos quais não saiu do papel.

De acordo com o Ministério Público, o Iabas e Mário Peixoto, que tem negócios suspeitos com o governo estadual desde os tempos do governador Sérgio Cabral, preso e condenado por corrupção a mais de 200 anos, montaram um esquema de desvio de milhões de euros quer na construção dos hospitais, quer na compra pelo estado de equipamentos como ventiladores e roupas de proteção para profissionais de saúde. Ainda de acordo com a investigação, há fortes indícios de envolvimento nessas fraudes do governador e da mulher dele, que recebia elevados valores não justificados dos outros suspeitos.

O governador do Rio nega tudo e atribuiu a ação da Polícia Federal a uma retaliação do presidente Jair Bolsonaro, que ainda na semana passada o chamou de “estrume”.

PORMENORES
Ação anunciada
A deputada Carla Zambelli, muito próxima de Jair Bolsonaro, tinha avançado na segunda-feira que a Polícia Federal ia desencadear ações contra governadores contrários ao governo, o que levou esta terça-feira Witzel a afirmar que o presidente usa a PF para se vingar dos seus adversários políticos.

Visita ao procurador-geral
Bolsonaro visitou na segunda-feira a sede da Procuradoria-Geral da República, no que foi visto como um ato indevido de pressão sobre o PGR, Augusto Aras, que tem nas mãos um processo contra o chefe de Estado. (CM)

Por: Domingos Grilo Serrinha | Brasil

Mostrar mais

Notícias relacionadas

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado.

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Fica a saber como são processados os dados dos comentários.

Close

Adblock Detected

Please consider supporting us by disabling your ad blocker