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França/Legislativas: “Nunca a Assembleia Nacional conheceu tal configuração” – Borne

A primeira-ministra francesa falou este domingo numa "situação inédita" ao reagir aos resultados eleitorais. As legislativas desta noite retiraram a maioria absoluta ao partido do Presidente de Emmanuel Macron e obrigam agora a maioria presidencial a "tirar as consequências".

Breve e num tom monocórdico, a primeira-ministra francesa, Elisabeth Borne, reconheceu uma “situação inédita. Nunca a Assembleia Nacional conheceu tal configuração durante a V República. Esta configuração constitui um risco para o nosso país. Este voto deve ser respeitado e devemos tirar as consequências. Como força central desta nova Assembleia, devemos assumir uma responsabilidade particular”.

Temos tudo para sermos bem-sucedidos, é em conjunto que vamos conseguir” ressalvou a chefe de Governo.

Os franceses pediram para nos unirmos pelo país. Há semanas que o governo está a trabalhar e a tomar as medidas necessárias para proteger todos os cidadãos“, continuou Elisabeth Borne, defendendo uma união “pelo pleno emprego e por uma transição ecológica e ambiciosa…

Nesta união não há alternativas para garantir a estabilidade do país”, considerou Elisabeth Borne, antes de acrescentar: “Várias sensibilidades terão de ser associadas e bons compromissos terão de ser construídos para agirmos ao serviço da França. Os franceses pediram para nos unirmos pelo país”. “Amanhã, devemos ampliar e acelerar a nossa acção a serviço de todos os franceses”, considerou, apelando ao diálogo com os cidadãos e com outras forças políticas. “Tenho confiança no nosso país (…) Temos tudo para ter sucesso e é juntos que vamos conseguir”, concluiu a primeira-ministra.

Quinze membros do Governo, entre eles a primeira-ministra Elisabeth Borne, nomeada a 20 de Maio, participaram nestas eleições legislativas. De acordo com a regra imposta pelo Eliseu, os ministros não eleitos nas urnas saem do executivo. Dos quinze governantes na corrida, três ficaram pelo caminho e estão agora fora do elenco governativo.

A secretária de Estado do Mar perdeu na Guadalupe, face ao candidato de esquerda Christian Baptiste, que contou com o apoio da Nupes. Justine Benin obteve apenas 41,35% dos votos, contra 58,65% de seu opositor.

A Ministra da Saúde e Prevenção, Brigitte Bourguignon, terá que apresentar demissão do Governo de Borne, depois de ter sido vencida pela candidata do Rassemblement National, Christine Engrand, que obteve 50,06% dos votos, em Pas-de-Calais.

A ministra da Transição Ecológica e Coesão Territorial, Amélie de Montchalin, que obteve 47,3% dos votos no 6º círculo eleitoral de Essonne, foi derrotada pelo candidato do Nupes, Jérôme Guedj (PS, 53,7%).

Segundo as projecções Ipsos/Sopra Steria, o campo do Presidente Emmanuel Macron sai fragilizado destas eleições legislativas, a coligação “Ensemble” deve obter 224 lugares no hemiciclo.

O porta-voz do governo Gabriel Attal cedo reconheceu que o resultado “está longe do que esperávamos. Os franceses não nos deram a maioria absoluta. É uma situação sem precedentes que nos vai obrigar a superar as nossas certezas e as nossas divisões“.

A esquerda unida, NUPES – Nova União Popular, Ecológica e Social, liderada por Jean-Luc Mélenchon deverá ficar em segundo lugar com a eleição de 149 deputados. Posição que lhe atribui a liderança da oposição.

Jean-Luc Mélenchon falou numa “situação totalmente inesperada e inédita” com os primeiros resultados da segunda volta das eleições legislativas.

A derrota do partido presidencial é total e não se perspectiva nenhuma maioria“, defendeu Mélenchon que considera ainda que a NUPES conseguiu “o objectivo político que havíamos dado a nós mesmos“: a diminuição do campo de Emmanuel Macron na Assembleia Nacional.

Com um resultado histórico, a extrema-direita de Marine Le Pen deve conseguir ocupar 89 cadeiras na Assembleia Nacional. 

Marine Le Pen disse, este domingo, estar muito satisfeita com o facto de “o povo ter decidido enviar um grupo parlamentar muito poderoso para a Assembleia“.

Com 78 deputados deve ficar a aliança Os Republicanos, União dos Democratas Independentes e Diversos de Direita, posição que pode deixar esta aliança em posição de ‘árbitro” parlamentar.

O presidente do partido Christian Jacob recusou, este domingo, a proposta do antigo ministro Jean François Coupé de formar um “pacto governamental” entre os “Les Républicains” e o “Ensemble” e afirmou que o partido “está e vai-se manter na oposição”.

Nesta segunda volta das eleições legislativas, mais do que um eleitor em dois não foi votar. A abstenção atingiu os 54%, em alta de um ponto percentual em relação à primeira volta. Todavia, a abstenção deste domingo é inferior à segunda volta das legislativas de 2017, 57.36%. (RFI)

Por: Cristina Soares/Neidy Ribeiro

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