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Covid-19. Donald Trump cada vez mais isolado – apesar das sondagens

Num país partido a meio, a oposição a Donald Trump não poupa nas críticas que faz à gestão do Presidente norte-americano. Mas, e apesar da pouca confiança nas palavras de Trump, as sondagens indicam o reforço da sua popularidade.

Multiplicam-se as críticas à forma como Donald Trump tem gerido a resposta à pandemia do novo coronavírus, com algumas das maiores figuras do Partido Democrata a apontarem o dedo ao Presidente norte-americano.

À cabeça, Joe Biden, que, a par de Bernie Sanders, é candidato a candidato democrata às próximas eleições presidenciais. Em declarações à cadeia de televisão NBC, o antigo vice-Presidente de Barack Obama foi particularmente duro: “O coronavírus não é culpa do Presidente, mas a resposta lenta, incapacidade de seguir em frente, de fazer coisas que precisavam ser feitas rapidamente, não pode continuar. Donald Trump tem de parar de pensar em voz alta e começar a pensar profundamente. Deve ouvir os cientistas antes de falar, ouvir especialistas em saúde, e ouvir os economistas.”

Na CNN, Nancy Pelosi, líder da maioria Democrata na Câmara de Representantes, foi ainda mais longe. “A negação inicial do Presidente foi mortal, custou vidas americanas. E ainda não temos testes adequados, equipamentos de proteção para profissionais de saúde que estão arriscando as próprias vidas para salvar vidas… Não brinque enquanto morrem pessoas, senhor Presidente.” A democrata defendeu ainda que, ultrapassada a crise, impõe-se uma investigação para apurar se a gestão de Trump foi ou não negligente.

Números preocupantes

Ainda este domingo, Anthony Fauci, diretor do Instituto Nacional de Alergias e Doenças Infecciosas e o homem que tem gerido a crise de saúde (muitas vezes corrigindo e desmentido o próprio Presidente, assumiu que o número de vítimas mortais pode ser de 100 mil pessoas.

Com a cidade de Nova Iorque a tornar-se o epicentro da pandemia nos Estados Unidos, Donald Trump chegou a admitir colocar todo o estado, bem como os estados vizinhos de New Jersey e Connecticut, em quarentena. Acabou por recuar na intenção, quando o Centro de Controlo e Prevenção de Doenças (CDC) aconselhou outra estratégia, pedindo aos residentes do estado de Nova Iorque para evitarem todas as viagens não essenciais, durante 14 dias.

Um dos maiores críticos da gestão de Donald Trump tem sido, precisamente, o presidente da câmara de Nova Iorque, Bill de Blasio, que acusou o republicano de não estar a “mexer um dedo” para ajudar a sua cidade Natal. “Não posso ser mais claro: se o Presidente não agir, pessoas que poderiam ter vivido vão morrer”, avisou.

O governador do estado nova-iorquino, Andrew Cuomo, também já veio a público desmentir Donald Trump, depois de o Presidente ter dito que Nova Iorque tinha ventiladores respiratórios a mais e que tinha de os distribuir, numa altura em que as autoridades daquela região se desdobram em apelos para que a Administração Central intervenha. “Donald Trump foi incorreto e está completamente desinformado”, criticou Cuomo. “Toda a gente tem direito a ter opinião, mas eu não opero com base em opiniões. Atuo com base em factos, dados e ciência.”

Em Washington, outro dos estados mais atingidos pela pandemia, o governador Jay Inslee, também ele democrata, implorou pela ajuda da Administração Trump. Acabou a ser insultado pelo Presidente. “Pessoas como o governador Inslee deviam estar a fazer mais do que ele aquilo que está. É um candidato falhado [Inslee desistiu da corrida presidencial] e está sempre a queixar-se”.

De Illinois, as palavras foram igualmente duras. “Devia estar a liderar uma resposta nacional em vez de estar a fazer birras no banco de trás”, atirou o governador J.B. Pritzker.

No vídeo, a evolução do discurso de Trump:

Leitor de vídeo de: YouTube (Política de Privacidade)

Um país dividido a meio – e as sondagens

As divergências políticas, numa sociedade altamente bipolarizada, têm-se refletido na forma como os Estados Unidos estão a enfrentar a crise, como explica aqui o jornal britânico The Guardian. A verdade é que os estados democratas têm sido mais proativos a tomar medidas enquanto os governadores republicanos têm, tal como Trump, desvalorizado a crise.

Apesar dos números – os Estados Unidos são já o país com mais infetados do mundo e registam perto de 3 mil vítimas mortais – e dos sinais de crise económica – o desemprego disparou para mais de três milhões, um recorde absoluto -, Donald Trump continua seguro nas sondagens. Apesar de Joe Biden, o mais provável candidato democrata às próximas eleições, liderar as intenções de voto, as taxas de aprovação e de popularidade do Presidente norte-americano estão a aumentar, como nota aqui o jornal online “Politico”.

Há, ainda assim, dados significativos, como explicava o Expresso na edição de 21 de março. De acordo com uma sondagem publicada pela rádio pública (NPR, na sigla em inglês), apenas 37% da população acreditam na informação dada pelo chefe de Estado. Mais de 60% ignoram-no, uma subida de 30 pontos percentuais só nas últimas duas semanas. Mais: do lado dos eleitores republicanos, 74% dos quais continuam a fazer fé nas palavras de Trump. Esse valor contrasta, porém, com os indicadores de há um mês sobre a popularidade do Presidente americano junto da sua base (94%). (MSN)

Por: Miguel Santos Carrapatoso

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