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‘Costismo’ derruba intenção de Pedro Nuno Santos em ganhar peso nas eleições federativas do PS

Pedro Nuno Santos viu serem reeleitos três presidentes de federações que lhe são próximos, mas não conseguiu eleger nenhum candidato novo. Mantém-se assim o domínio de António Costa sob a corrente interna mais à esquerda que o ministro das Infraestruturas lidera no partido.

A tentativa do dirigente do Partido Socialista (PS) e ministro das Infraestruturas e da Habitação, Pedro Nuno Santos, de conseguir mais peso entre os socialistas nas 19 eleições federativas deste fim de semana falhou. Pedro Nuno Santos viu serem reeleitos três presidentes de federações que lhe são próximos, mas não conseguiu eleger nenhum candidato novo, mantendo-se o domínio do “costismo” sob a corrente interna que lidera no partido.

Na antecâmara do congresso nacional do PS, adiado para o ano devido à pandemia, as eleições internas deste fim de semana serviram para cimentar a liderança de António Costa. Os dois nomes próximos de Pedro Nuno Santos que constavam entre os candidatos à presidência das 19 federações distritais – o secretário de Estado da Juventude e do Desporto, João Paulo Rebelo, e o ex-deputado João Portugal – não reuniram votos suficientes para serem eleitos.

João Paulo Rebelo, candidato à federação distrital de Viseu, perdeu as eleições para o deputado José Rui Cruz por uma margem curta: 1.036 votos contra 1.164 votos. Já João Portugal perdeu em Coimbra para Nuno Moita, presidente da Câmara de Condeixa-a-Nova, que venceu com cerca de 62% dos votos face aos 38% do ex-deputado.

Pedro Nuno Santos conseguiu, ainda assim, manter apoios à sua corrente interna mais à esquerda em Lisboa, Braga e Aveiro, com a reeleição de Duarte Cordeiro, Joaquim Barreto e Jorge Vultos Sequeira, respetivamente.

Na Federação da Área Urbana de Lisboa (FAUL), Duarte Cordeiro foi reeleito para um segundo mandato com 95% dos votos. Joaquim Barreto conseguiu a reeleição em Braga com 2.200 votos, contra os 1.669 votos conseguidos por Ricardo Costa e Jorge Sequeira, que sucedeu a Pedro Nuno Santos como presidente da federação distrital de Aveiro, foi reeleito sem opositor e com 96% dos votos.

A influência de “pedronunistas” no seio do partido mantém-se assim sem alterações nostatus quo. Pedro Nuno Santos e Fernando Medina são dois dos nomes apontados como possíveis sucessores de António Costa na liderança do PS. Em entrevista à ‘Renascença’, no início de julho, o presidente do PS, Carlos César, veio dizer, no entanto, que os pretensos sucessores “vão ter de esperar um bocado de tempo”.

“Se hoje há uma realidade com que não só o PS, mas os portugueses em geral se confrontam, é com a qualidade e o esclarecimento da liderança de António Costa”, disse, na altura, Carlos César.

O secretário-geral do PS, António Costa, saudou todos os que participaram nas eleições e defendeu que estas contribuíram para “afirmar a riqueza do pluralismo e da diversidade de opiniões” no PS. “Essa é a força da nossa democracia interna e que faz da nossa unidade o esteio de um compromisso de serviço ao país e a todas as nossas comunidades locais e regionais”, sustentou o líder socialista.

Das 19 federações distritais do PS que foram a votos, entre sexta-feira e sábado, apenas nove mudaram de liderança: Nélson Brito (Baixo Alentejo), Vítor Pereira (Castelo Branco), Nuno Moita (Coimbra), Luís Dias (Évora), Alexandre Lote (Guarda), Walter Chicharro (Leiria), Ricardo Pinheiro (Portalegre), Hugo Costa (Santarém) e José Rui Cruz (Viseu).

Já nas restantes 10 renovaram o mandato dos anteriores líderes: Luís Graça (Algarve), Jorge Vultos Sequeira (Aveiro), Joaquim Barreto (Braga), Jorge Gomes (Bragança) Duarte Cordeiro (Federação da Área Urbana de Lisboa – FAUL), Carlos Bernardes (Federação Regional do Oeste – FRO), Manuel Pizarro (Porto), António Mendes (Setúbal), Miguel Alves (Viana do Castelo) e Francisco Rocha (Vila Real). (Jornal Económico)

Por: Joana Almeida

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