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China prende professor que criticou Xi Jinping pela pandemia de coronavírus

Xu Zhangrun foi detido sob a alegação de ter recorrido a serviços de prostituição na cidade de Chengdu, no sudoeste da China

As autoridades chinesas detiveram esta segunda-feira um professor de direito que publicou ensaios a criticar o presidente Xi Jinping pela pandemia de coronavírus e os seus esforços para consolidar o poder, informaram amigos próximos do professor.

Xu Zhangrun, um raro crítico aberto do governo na academia altamente censurada da China, foi retirado de sua casa no subúrbio de Pequim por mais de 20 pessoas, disse um dos seus amigos, sob a condição de anonimato.

Xu publicou um ensaio, em fevereiro, no qual culpava a cultura de deceção e censura promovida por Xi pela disseminação do coronavírus na China.

O “sistema de liderança da China está a destruir a estrutura de governação”, escreveu Xu no texto que foi publicado em sites estrangeiros, acrescentando que o caos no epicentro do vírus, na província de Hubei, refletia problemas sistémicos no estado chinês.

O professor de direito da Universidade de Tsinghua, uma das principais instituições da China, já se tinha manifestado contra a abolição dos limites de mandato presidencial em 2018, num texto divulgado online.

Um amigo do professor Zhangrun disse que um homem, que afirmou ser policial, ligou para a esposa de Xu, que morava separadamente numa residência universitária, para dizer que o professor de direito foi preso por supostamente ter solicitado prostituição na cidade de Chengdu, no sudoeste do país.

Xu visitou Chengdu no inverno passado com vários estudiosos liberais chineses, embora não esteja claro se a prisão está relacionada com a viagem, disse o amigo, classificando a alegação contra Xu de “ridícula e sem vergonha”.

Xu Zhangrun foi colocado em prisão domiciliar na semana passada, segundo um amigo.
Depois de a Universidade de Tsinghua ter proibido Xu de ensinar e conduzir pesquisas em 2019, centenas de ex-alunos da universidade – e académicos de todo o mundo – assinaram uma petição online pedindo que ele fosse reintegrado.

Censura em ascensão

A Universidade de Tsinghua e as autoridades de segurança pública de Pequim não responderam ainda aos pedidos de comentários sobre a detenção de Xu Zhangrun, esta segunda-feira.

A liberdade de expressão chinesa sempre foi rigidamente controlada pelo Partido Comunista, mas esse domínio tornou-se mais intenso sob a liderança de Xi Jinping, acusam os críticos.

Um tribunal chinês condenou no ano passado o “dissidente cibernético” Huang Qi – cujo site noticiou tópicos delicados, incluindo sobre direitos humanos – a 12 anos de prisão por “divulgação de segredos de Estado”.

O espaço para discussões independentes diminuiu ainda mais este ano, com o governo de Xi a tentar controlar a informação sobre o novo coronavírus, que alguns cientistas acreditam ter emergido de um mercado de animais selvagens em Wuhan.

Chen Jieren, ex-jornalista do People’s Daily, próximo do Partido Comunista, foi condenado em maio por um tribunal da província de Hunan por “provocar problemas” e por publicar informações “falsas” e “negativas”.

Também Ren Zhiqiang, um crítico do Partido Comunista Chinês e magnata milionário do imobiliário, foi detido depois de escrever um textos criticamente feroz sobre a resposta de Xi Jinping ao surto do novo coronavírus. (MSN)

 

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