BrasilDestaquesPolítica

Bolsonaro citado oficialmente no caso da execução de Marielle Franco

Um dos alegados assassinos foi ao condomínio onde moram o presidente da República e o outro suposto criminoso horas antes do crime. E anunciou ao porteiro que iria visitar a casa do hoje chefe de Estado. Dessa forma, o caso sobe ao Supremo Tribunal Federal.

O presidente Jair Bolsonaro é oficialmente citado no caso que investiga a execução da vereadora Marielle Franco e do motorista Anderson Gomes.

Horas antes do crime, Élcio Queiroz, preso há já seis meses como um dos supostos assassinos, foi ao condomínio Vivendas da Barra, no Rio de Janeiro, e, segundo o porteiro, disse que ia à casa 58. O porteiro ligou para a casa 58 e de lá autorizaram-no a entrar. O inquilino dessa casa é Jair Bolsonaro, presidente da República. Segundo o porteiro, Élcio Queiroz acabou por se desviar dessa casa e entrar na casa 66 onde mora o outro suposto assassino, Ronnie Lessa.

A investigação, da TV Globo, teve acesso aos registos em papel e em gravação da portaria do condomínio e ao depoimento à polícia do porteiro. O então deputado Bolsonaro, dizem os registos do Congresso Nacional e confirma a reportagem da TV Globo, não estava, no entanto, no Rio nesse dia – deu entrada oficial no plenário da Câmara dos Deputados, em Brasília. Não se sabe, portanto, quem da casa 58 autorizou a entrada de Queiroz no condomínio.

Mas a simples menção ao nome de Bolsonaro já leva o processo para o Supremo Tribunal Federal, que analisa todos os casos de autoridades com foro privilegiado, no caso, o presidente da República.

Bolsonaro reagiu energicamente à reportagem. Começou por culpar o governador do Rio de Janeiro – e seu aliado – Wilson Witzel pela fuga de informação do depoimento do porteiro. Witzel repudiou a acusação.

Depois, ameaçou a TV Globo de não ter renovada a sua concessão de operador televisivo e acusou-a de “canalhice” e “patifaria”. A emissora disse que o que o presidente chama de “canalhice” e “patifaria” é “jornalismo”.

E, finalmente, exigiu ao seu ministro da justiça, Sergio Moro, que volte a recolher depoimento do porteiro do seu condomínio.

Até ao momento os advogados de Queiroz e de Lessa não se pronunciaram.

O crime, cometido a 14 de março, decorreu no centro do Rio. Marielle Franco seguia num carro, com a assessora Fernanda Chaves e o motorista Anderson Gomes quando foi abordado por uma outra viatura de onde saíram 13 tiros. Marielle e Anderson morrerarm, Fernanda sobreviveu com ferimentos leves.

Depois de longa e atribulada investigação, um ano depois a polícia prendeu Queiroz e Lessa, ligados a milícias, a máfia brasileira. (Diário de Notícias)

Por: João Almeida Moreira | São Paulo

Mostrar mais

Notícias relacionadas

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado.

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Fica a saber como são processados os dados dos comentários.

Close

Adblock Detected

Please consider supporting us by disabling your ad blocker