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Ben Ali: Da ostentação ao exílio

O fim de vida do presidente tunisino Ben Ali foi muito menos digno do que se previa depois do fausto que desfrutou.

Zine El Abidibe Ben Ali nasceu em Suza, Tunis, em 1936. Estudou Eletrónica, foi militar, embaixador e ministro do Interior.

Na presidência, durante 23 anos, Ben Ali e a família, principalmente a segunda mulher, Leila, e todo o clã Trabelssi, fizeram fortuna com a ditadura, o despotismo.

O presidente caído em desgraça chegou ao poder em 1987 com um golpe de Estado, seis semanas depois de ser nomeado primeiro-ministro e obter um certificado dos médicos do presidente Habib Bourguiba, a declará-lo senil e incapaz de governar. Conseguiu fazer passar a imagem de uma nova geração e da esperança, ao ponto de ser premiado em França.

Em 1989 recebeu um Prémio de Democracia e Direitos do Homem do Instituto Francês de Estudos Políticos e Sociais – que não visitou os prisioneiros de consciência tunisinos.

Enquanto a Tunísia se tornava num destino turístico europeu incontornável, Ben Ali dava livre arbítrio ao seu clã para delapidar o erário público. O diretor da comissão tunisina de museus admitiu que Leila Trabelsi utilizava artefactos, incluindo frescos e mosaicos milenares, para decorar os palácios da família.

Em 2002, Ben Ali mudou a Constituição, por um referendo feito à medida, para poder candidatar-se mais duas vezes. O único partido que lhe podia fazer frente foi interdito. Deu o golpe de misericórdia à oposição quando começou a agitar o fantasma da ameaça islamita.

Era amigo dos líderes ocidentais e depositava a fortuna pessoal em França e na Alemanha até a União Europeia dar ordem de congelamento dos depósitos. Os amigos preferiram lidar com ele a lidar com ameaça do radicalismo islâmico e do terrorismo.

Foi reeleito pela última vez a 25 de outubro de 2009, com 89,62% dos votos, face aos 5,01% de Mohamed Bouchiha, principal opositor.

Em dezembro de 2010 e início do ano 2011 teve início uma série de revoltas populares que levaram à demissão do presidente, por causa da subida dos preços de alimentos básicos e da repressão.

Quando foi divulgado que Ben Ali estava em coma, os tunisinos não mostraram compaixão. (Euronews)

 

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