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Angola quer a auto-suficiência alimentar com a ajuda de Portugal

João Lourenço e António Costa encontraram-se esta tarde no Instituto Nacional de Investigação Agrária e Veterinária, ponto de encontro de um programa de acção que envolve os dois países. Luís Villalobos

A visita do Presidente de Angola, João Lourenço, ao Instituto Nacional de Investigação Agrária e Veterinária (INIAV), em Oeiras, foi breve, mas serviu para dois pontos essenciais: visitar um ponto-chave da colaboração entre os dois países, e encontrar-se publicamente com o primeiro-ministro António Costa.

Dentro do edifício daquela que é a maior instituição de investigação agrária e veterinária de Portugal (com laboratórios ligados à segurança alimentar) estavam cinco quadros angolanos em formação, prontos para a comitiva oficial. Aqui, desenvolvem competências em áreas como a produção de vacinas para a avicultura, e são o símbolo vivo da concretização de um acordo estabelecido entre os dois países. Depois de um primeiro passo dado em Fevereiro do ano passado, a visita de António Costa a Luanda em Setembro permitiu um salto em frente, com a elaboração de um plano de acção que inclui a formação.

De resto, o enquadramento e explicações ficaram a cargo do ministro da Agricultura, Capoulas Santos, e do seu homólogo angolano, Marcos Alexandre Nhunga. Para Capoulas Santos, está-se agora a dar “expressão concreta” ao que ficou vertido no plano de acção, “de acordo com as prioridades angolanas” e onde se destaca a capacidade laboratorial e a produção de vacinas, com sucessivas acções de formação que incluem a ida de quadros portugueses a Angola. Isto para que este país venha a ter condições para a exportação de produtos “de acordo com os parâmetros do comércio internacional”.

De acordo com o ministro angolano, o sector agrícola, essencialmente familiar (representa mais de 90% da produção), tem vindo a atrair mais o sector empresarial nos últimos anos. “Mas falta ainda”, acrescentou, “a auto-suficiência alimentar, um grande objectivo do Governo”, evitando com isso exportar capital.

(Foto: D.R.)

Aqui, a ideia é também exportar mais produtos como café, cacau e caju, “e com isso ir buscar divisas”. Para concretizar tudo isto, de forma sustentável, “tem que existir um suporte muito grande da investigação”, sublinhou Alexandre Nhunga. No âmbito da estratégia de diversificação além do petróleo e de captação de investimento estrangeiro, o ministro angolano afirmou que este é um sector onde os empresários portugueses podem querer investir.

Por seu lado, Capoulas Santos aproveitou para sublinhar que esta é uma “cooperação que não põe em confronto” os agricultores portugueses, já que os dois países “não são concorrentes em matérias agrícolas”. “Angola produz ou pode produzir café e cacau, não tem a ver com os produtos que queremos continuar a vender, como vinho e azeite”, destacou.

O plano de acção assinado em Setembro e com duração até 2021, prevê ainda a criação de uma Câmara de Agricultura Luso-Angolana, que deve reunir parceiros públicos e privados “interessados e empenhados no desenvolvimento da agricultura dos dois países”. (Público)

Por: Luís Villalobos

 

 

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