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Angola: João Lourenço “baralhou as mesmas cartas” e manteve equipa “pouco inovadora”

Novo executivo nomeado na sexta-feira (16.09) pelo recém-empossado Presidente de Angola, João Lourenço, não introduz mudanças significativas e deixa angolanos "sem expectativas", reagem analistas ouvidos pela DW África.

João Lourenço pretende trabalhar com a mesma equipa que liderou nos últimos cinco anos. Há poucas caras novas entre os membros do Executivo a serem empossados nos próximos dias.

As novidades verificam-se nas províncias de Cabinda, Zaire e Luanda, onde o Movimento Popular de Libertação de Angola (MPLA) perdeu para a União Nacional para a Independência Total de Angola (UNITA). Nestas regiões, João Lourenço fez mudanças, mas os governadores não foram afastados da “jogada”.

Marcos Nhunga, que governou Cabinda, foi transferido para Malanje. Pedro Makita Júlia que esteve no Zaire foi para Cuanza Norte. Ana Paula de Carvalho Chantre foi nomeada para liderar a reformatação do extinto Ministério do Ambiente. Para o seu lugar no Governo de Luanda, João Lourenço colocou Manuel Homem, que liderou nos últimos anos o Ministério das Telecomunicações, Tecnologias de Informação e Comunicação Social.

Ministros como “meros auxiliares”

Para o jornalista Ilídio Manuel, o Presidente da República “baralhou as mesmas cartas para voltar a dar de novo”. “São os mesmos jogadores que já vêm da equipa anterior, que era amorfa e pouco inovadora”, considera.

Angola Ilídio Manuel, JournalistIlídio Manuel, jornalista

Ilídio Manuel afirma que o problema não tem a ver com os rostos que compõem o Governo, “mas no sistema em si”, em que “grande parte dos poderes estão concentrados no Presidente da República, sendo ele o titular do poder executivo e os ministros seus meros auxiliares”.

Segundo este analista, num sistema político como o de Angola, em que o Presidente “goza de poderes discricionários” e com uma governação dependente da subida do preço do petróleo, “torna-se difícil avaliar o desempenho de cada auxiliar do titular do poder Executivo”.

“Em relação às províncias onde a oposição ganhou as eleições e foram indicados novos governadores, julgo que isso constitui uma fuga para frente, pois os problemas não residem na mudança de rostos, mas no sistema de governação, sobretudo em matéria de descentralização do poder, distribuição da riqueza social e políticas de inclusão social”, diz Ilídio Manuel.

Quem também não vê esperança neste novo Governo é Fernando Sakwayela, coordenador do Projeto Agir. O ativista afirma que o chefe de Estado apresentou aos angolanos os atores da “má governação e com as mesmas agendas”.

“Sentimos que há uma espécie de incapacidade, uma espécie de desespero e falta de alternativa. Não havendo capacidade de [introduzir novos] atores para intervirem no cenário, o Presidente reeditou as mesmas peças”, comenta.

Economia sem alterações

Sakwayela critica o facto de o chefe de Estado angolano manter no ativo a mesma equipa económica liderada por Manuel Júnior, quando a economia do país se mantém numa situação “deplorável”. “É estranho que se tenha muita paixão por esta equipa económica que, no fundo, não produz aquilo que se precisa”, refere.

Edeltrudes CostaEdeltrudes Costa continua no cargo de diretor de gabinete do Presidente da República

“Achamos que nesta constelação de incertezas, a materialização do poder local poderá ser uma das alavancas que há-de reduzir o brilho de si já ofuscado do atual Governo”, acrescenta.

Edeltrudes Costa continua no cargo de diretor de gabinete do Presidente da República. Nas pastas de peso do Governo angolano também não houve mudanças. Vera Daves foi mais uma vez confiada ao Ministério das Finanças, e Téte António ainda é o ministro Relações Exteriores.

Eugénio César Laborinho segue à frente do Ministério do Interior. João Ernesto dos Santos prevalece no Ministério da Defesa e dos Antigos Combatentes. (DW)

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