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Angola e Ghana definem passos para a nova era de cooperação

No quadro do reforço da cooperação, os governos de Angola e do Ghana rubricaram também acordos sobre o funcionamento da Comissão Bilateral de Cooperação e sobre a supressão de vistos recíprocos em passaportes diplomáticos e de serviço

Um acordo de supressão de visto em passaportes diplomáticos e de serviço e um memorando na área da educação, para facilitar a mobilidade de professores e pesquisadores em instituições de Ensino Superior e centros de pesquisa científica, foram, entre outros, os documentos assinados, ontem, no âmbito da visita a Angola do Presidente do Ghana, Nana Akufo Addo.

Os dois Chefes de Estado querem marcar uma nova era na cooperação entre os dois países, que pretendem aproveitar ao máximo a experiência de cada um e a posição geográfica estratégica no continente. Na abertura das conversações, o Presidente angolano, João Lourenço, disse ser tempo de passar-se dos projectos às acções concretas.

O Chefe de Estado ghanense, Nana Akufo Addo, falou do reforço da cooperação, apontou áreas concretas a serem alvo das relações entre os dois países e afirmou que o Ghana esbateu os elementos fundamentais da sua economia e estudou formas adequadas para transformar a exportação de matérias-primas numa economia diversificada e industrializada.

Os dois países assumiram ainda o compromisso para implementação da Comissão bilateral, criada à luz do artigo 7º do Acordo Geral de Cooperação Económica, Científica, Técnica e Cultural.

Angola e o Ghana pretendem firmar passos concretos no que consideram de nova era da cooperação com a assinatura, ontem, em Luanda, de um Memorando no domínio da Educação para a mobilidade de professores e pesquisadores em instituições de ensino superior e centros de pesquisa científica.

Os dois Estadistas trocaram pontos de vista sobre o reforço das relações culturais e económicas, comércio e investimento (Foto: Mota Ambrósio/Edições Novembro)

Ontem, após as conversações oficiais, foram também assinados outros dois acordos: o Acordo sobre o funcionamento da Comissão Bilateral de Cooperação, visando estabelecer um quadro que permita a implementação da Comissão bilateral criada à luz do artigo 7º do Acordo Geral de Cooperação Económica, Científica, Técnica e Cultural e o Acordo sobre supressão de vistos recíproco em passaportes diplomáticos e de serviço.

O acordo visa facilitar a mobilidade migratória a favor de cidadãos de ambos os países portadores de passaportes diplomáticos e de serviço. Foram signatários dos três acordos, rubricados no Salão Nobre do Palácio Presidencial, o ministro angolano das Relações Exteriores, Manuel Augusto, e a ministra dos Negócios Estrangeiros e da Integração Regional do Ghana, Shirley Ayorkor Botchwey.

A propósito do acordo assinado no domínio da Educação, o Presidente João Lourenço afirmou que o objectivo é “aumentar a qualidade dos nossos professores”. “Falar do Ghana é falar de um país com língua oficial inglesa e o Inglês é a língua da Ciência e da Educação.

Penso não haver problemas no facto de falarmos português e o Ghana falar inglês, mas os próprios métodos de educação que o Ghana utilizou para atingir a excelência, é que devemos ter em conta”, realçou João Lourenço, durante a conferência de imprensa.

João Lourenço anunciou para os próximos dois meses, e para dar corpo à nova fase da cooperação, a deslocação de uma delegação ministerial angolana a Accra, para a 6ª reunião da Comissão Mista Bilateral de cooperação. Com essa reunião, disse, pretende-se revitalizar as áreas de cooperação.

Acções concretas

Na abertura das conversações, o Presidente João Lourenço considerou ser tempo de se passar dos projectos às acções concretas, realçando que os empresários ghanenses têm no mercado angolano muitas oportunidades de negócios em parceria com empresas públicas e privadas.

“As nossas portas estão abertas”, disse o Presidente da República, para quem os acordos assinados, a reactivação da Comissão Mista Bilateral e a supressão de vistos vão permitir a redinamização da cooperação. João Lourenço falou da necessidade dos dois países trabalharem juntos no reforço da unidade entre os povos africanos, uma forma de dar corpo aos compromissos assumidos na materialização da integração regional e continental.

Destacou os valores democráticos do Ghana, justificados, entre outros aspectos, pela alternância das forças políticas no poder. O Estadista angolano lembrou que os conflitos armados, a pobreza extrema e a falta de uma liderança capaz são factores que contribuem para travar o desenvolvimento económico do continente.

Para inverter o quadro, sublinhou, é preciso apostar na juventude africana, proporcionando as oportunidades para se afirmarem na sociedade. Outro aspecto mencionado pelo Chefe de Estado angolano foi a reforma da União Africana, para torná-la mais adaptada às realidades e exigências actuais.

João Lourenço lembrou que ao nível de algumas sub-regiões existem vários desafios a considerar, sobretudo os que têm a ver com a instabilidade resultante de conflitos pós-eleitorais, inter-étnicos e do extremismo e fundamentalismo religioso.

O Presidente da República manifestou preocupação pela situação na Líbia, na RDC e na República Centro Africana, onde persistem o clima de instabilidade devido à acção de grupos armados. Diante do homólogo ghanense, João Lourenço lembrou que os laços entre Angola e o Ghana são históricos.

Face ao potencial dos dois países, João Lourenço sugere a inversão do quadro. “Nós, os políticos, temos a responsabilidade de colocar as nossas economias e sociedades a trabalhar para esta tão pretendida aproximação”, disse o Chefe de Estado angolano que aceitou o convite de Akufo Addo para efectuar uma visita de Estado ao Ghana.

“A visita de vossa Excelência simboliza não só as relações históricas, como constitui igualmente a prova da vontade política de estabelecermos um canal de diálogo que nos permite abordar, de forma mais directa, temas de interesse comum ao nível bilateral e internacional”, disse João Lourenço.

Pesquisa agrícola

O comunicado final da visita refere que os Chefes de Estado trocaram pontos de vista sobre o reforço das relações culturais e económicas, intercâmbios interpessoais, comércio e investimento entre Angola e Ghana e reforçar a unidade do continente africano e colaborar em questões globais.

Os dois Estadistas acordaram em trabalhar na pesquisa agrícola, agro-processamento e agro-negócio, intercâmbio de conhecimentos técnicos e informações sobre boas práticas agrícolas. Outro aspecto analisado pelas delegações dos dois países foi a cooperação no acesso a mercados, facilitação de comércio, transformação industrial, troca de informações comerciais, participação nas feiras e exposições de cada um dos países, bem como actividades de desenvolvimento de negócios.

O GHANA ESTÁ A EXECUTAR UM PROCESSO DE INDUSTRIALIZAÇÃO AMBICIOSO

O Presidente da República do Ghana, Nana Akufo – Addo, considerou que a sua visita a Angola marca uma nova era para o reforço da cooperação. A respeito da diversificação económica, Nana Akufo-Addo lembrou que o seu país estudou formas adequadas para transformar a economia de exportação de matérias primas para uma economia baseada na diversificação e industrialização.

“Há coisas que estão a ser feitas que podem ser repetidas por outros países”, disse. Uma delas é a disciplina com que são geridos os recursos públicos. Akufo-Addo disse que por conta disso, o Ghana está a executar um processo de industrialização ambicioso, que visa criar, em cada distrito, pelo menos uma unidade industrial para alavancar o desenvolvimento económico.

“A expansão da nossa economia agrícola constituiu um elemento chave para o desenvolvimento rápido. É crucial para nós virar costas à economia de exportação do nosso cacau bruto, mas agora, temos de industrializar para acrescentar valor.

Esta é a nossa estratégia actual de desenvolvimento económico”. Nana Akufo-Addo disse conhecer algumas iniciativas de investidores angolanos no Ghana, com realce para o sector hoteleiro. “Um hotel que estava adormecido foi recuperado por um investidor saudita e um angolano”, disse, realçando que a recuperação do Hotel teve muito a ver com investimento angolano.

Disse que há, no Ghana, participação de um angolano na Empresa Estatal de Distribuição de Electricidade. “Estou ciente do esforço que empreendedores angolanos estão a fazer no sentido de penetrar no mercado ghanense”, salientou. Outro aspecto que mereceu a atenção dos dois Chefes de Estado foi a necessidade da implementação, com êxito, da Zona de Comércio Livre Continental Africana (ZCLCA).

Neste sentido, Nana Akufo-Addo apelou ao homólogo angolano a colaborar com o Ghana para assegurar a sua operacionalização efectiva em benefício dos cidadãos, particularmente a juventude. Os dois Chefes de Estado concordaram em iniciar acções que impulsionarão o comércio entre os dois países e outros de África dentro do contexto da Zona de Comércio Livre. (Jornal de Angola)

Por: João Dias

 

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