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Angola assinala hoje o dia do Herói Nacional

Angola comemora nesta quinta-feira o 17 de Setembro, Dia do Herói Nacional, uma data em que se exaltam as qualidades políticas e culturais do primeiro Presidente de Angola, António Agostinho Neto, um poeta de respeito, um “caso de permanente estudo”.

António Agostinho Neto, um médico “emprestado” à política, foi presidente de Angola de Novembro de 1975 até 10 de Setembro de 1979, altura da sua morte.

Também presidente do MPLA, partido governante em Angola, desde finais de 1975, Neto granjeou respeito em Angola e em todo o mundo, tanto por amigos ou oponentes, inclusive académicos, pelo conjunto de sua obra literária e também por suas análises sócio-políticas.

Deixou lemas que se contextuam em diferentes momentos. “O mais importante é resolver os problemas do povo”, é um dos tais, de que muitos governados ou cidadãos não se esquecem e usam-no com frequência..

Tinha carisma. Arrastava multidões por onde fosse. E isto aconteceu pela última vez quando, a 14 de Setembro de 1979, os seus restos mortais chegaram a Luanda vindos da URSS. Luanda, representando o país inteiro, chorou e acompanhou a urna sobre um carro de assalto.

Não houve dúvidas, o homem fora elevado à categoria de herói pelo povo. A legislação em vigor apenas chancelou aquela vontade… e imortalizou-se Agostinho Neto, o Manguxi e também Kilamba, como era tratado pelos mais próximos.

Daí, até hoje, o 17 de Setembro, em Angola, é reservado a momentos de tertúlias, simpósios e outras actividades à dimensão de Neto. Mesmo até no exterior do país, a comunidade angolana celebra a efeméride com efusão e orgulho desta figura dimensional.

A data foi instituída como feriado nacional em 1980, pela então Assembleia do Povo, um ano após o falecimento de Agostinho Neto, natural de Caxicane, uma aldeia em Catete, antes município do Bengo, hoje parte da divisão administrativa de Luanda.

Vida e Obra

Homem de coragem invulgar e comprometido com as causas do povo, António Agostinho Neto, foi incansável na sua participação pessoal para a resolução de todos os problemas relacionados com a vida do partido e do Estado, até o dia da sua morte.

Neto foi, na década de 50, secretário-geral da delegação (em Coimbra – Portugal) da Casa dos Estudantes do Império e membro fundador do Centro de Estudos Africanos, em conjunto com Amílcar Cabral (Guiné-Bissau), Mário Pinto de Andrade (Angola), Marcelino dos Santos (Moçambique) e Francisco José Tenreiro (Angola).

Mais tarde, tornou-se fundador do Clube Marítimo Africano. Devido à sua participação activa nos movimentos estudantis nacionalistas, foi preso diversas vezes pela polícia política portuguesa (PIDE), dando origem a campanhas internacionais de solidariedade para a sua libertação.

Em 1962 subiu à presidência do Movimento Popular de Libertação de Angola (MPLA).

Ao longo da década de 70, liderou as actividades políticas e de guerrilha do MPLA e o processo de descolonização (1974/75) a partir de Argel (Argélia) e Brazzaville (República do Congo) até ao seu regresso a Angola, onde proclamou a independência nacional. Tornou-se então no primeiro Presidente de Angola.

Neto, foi também um esclarecido homem de cultura, para quem as manifestações culturais tinham de ser, antes de mais, a expressão viva das aspirações dos oprimidos, a arma para a denúncia dos opressores, e um instrumento para a reconstrução da nova vida.

A atribuição do Prémio Lótus, em 1970, pela Conferência dos Escritores Afro-asiáticos; o Prémio Nacional de Cultura, em 1975, e outras distinções são reconhecimentos internacionais dos seus méritos no domínio das artes.

Pois, na literatura, destaca-se com “Náusea” (1952), “Quatro Poemas de Agostinho Neto” (1957), “Com os olhos Secos”, edição bilingue português – italiano (1963), “Sagrada Esperança” (1974), “Renúncia Impossível” (edição póstuma 1982) e “Poesia” (edição Póstuma 1998).

Dotado de um invulgar dinamismo e capacidade de trabalho, Agostinho Neto, até a hora do seu desaparecimento físico, foi incansável na sua “luta” para a resolução de todos os problemas relacionados com a vida do MPLA, do povo e do Estado.

Ao Manguxi, também se reconhece o grande para a erradicação do analfabetismo, ao lançar a “Campanha Nacional de Alfabetização, em 1979”.

As suas valências poéticas podem ser encontradas em quatro livros principais: Quatro Poemas de Agostinho Neto (1957); Poemas (1961); Sagrada Esperança (de 1974); e A Renúncia Impossível (1982) que, não fosse a covid-19, estariam a ser debates presencialmente. (Angop)

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