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Angola admite pedido de adesão ao BRICS

O ministro das Relações Exteriores não descartou a possibilidade de Angola vir a solicitar a adesão ao BRICS, depois da participação do Presidente da República, João Lourenço, na cimeira do bloco que encerrou sexta-feira, em Joanesburgo.

Manuel Augusto, que falava à imprensa para fazer o balanço da participação de Angola no encontro, que juntou dezenas de Chefes de Estado e de Governo, reconheceu que para chegar a essa etapa, o país tem que melhorar grande parte das variáveis do sector económico.

“Sabemos que, para chegar lá, temos que fazer muito mais. Temos um grande potencial, mas precisamos de mostrar que a nossa prática, o nosso estilo de governação, o ambiente de negócios e a facilitação do investimento sejam realidade para que possamos ter lugar na mesa dos grandes”, sublinhou o chefe da diplomacia angolana.

Manuel Augusto parafraseou, entretanto, uma declaração em que, no discurso pronunciado diante dos líderes do BRICS e de outros chefes de Estado, o Presidente João Lourenço afirmou esperar que, “muito em breve, o acrónimo BRICS tenha outras letras”. “Esperamos que a próxima seja o ‘A’”, afirmou, referindo-se a uma hipotética solicitação angolana de adesão ao bloco.

O ministro considerou o balanço da participação de Angola na 10ª Cimeira do BRICS “muito positivo” e “um êxito”, destacando os encontros bilaterais mantidos pelo Presidente da República com os seus homólogos da Rússia, China e Turquia.

“Tivemos a grata sensação de saber que Angola está no mapa das relações económicas dessas potências”, avançou, acrescentando que o país também “reafirmou a sua abertura para investimento privado e a cooperação inter-Estados”.
Na sequência desse diálogo, disse o ministro, “acreditamos que, num futuro breve, assistiremos a implementação de algumas decisões que foram tomadas entre o Presidente João Lourenço e os líderes com os quais se encontrou”.

Manuel Augusto confirmou que o conteúdo das conversações mantidas entre João Lourenço e Vladimir Putin foi aquele que o Presidente russo revelou no discurso que pronunciou na sexta-feira, na sessão de encerramento da cimeira.

O ministro apontou declarações de Vladimir Putin a afirmar que Angola é o principal parceiro da Rússia em África e a anunciar perspectivas de reforçar essa parceria, destacando o lugar do país na estratégia russa de cooperação com África.

Manuel Augusto afirmou que, no encontro, foram também abordados temas que interessam os dois países, nomeadamente a cooperação na área espacial, indústria extractiva e a cooperação militar: “tivemos a sensação de que somos, de facto, o principal parceiro da Rússia em África”.

O Presidente Chinês, Xi Jinping, também se manifestou satisfeito com o nível das relações entre os dois países, revelou o ministro, anunciando um novo encontro entre os líderes angolano e chinês “muito em breve”, no Fórum China-África.

Rússia paga compensações
A construção do satélite que vai substituir o Angosat1 iniciou em Abril, ao mesmo tempo que Angola está a receber compensações em largura de banda para cumprir as metas a que se propunha com o lançamento do primeiro satélite, declarou sexta-feira à imprensa, em Joanesburgo, o ministro das Telecomunicações e Tecnologias de Informação.

José Carvalho da Rocha, que integrou a delegação do Presidente da República à 10ª Cimeira do BRICS, reafirmou que, “em função do contrato, não haverá custos adicionais para Angola” e que, a parte russa está contratualmente obrigada a construir um novo satélite. “O que nos liga à Rússia é um contrato e, todas as acções que desenvolvermos, têm que estar baseadas no contrato”, declarou o ministro.

O ministro apontou o estabelecimento de políticas públicas, a construção de infra-estruturas de telecomunicações e tecnologias de informação e a abertura do mercado como o cerne das políticas que o pelouro tem estado a implementar para dinamizar o mercado e favorecer as famílias e as empresas.

Prova do empenho do Governo nesse domínio, avançou, é a realização, em preparação, de um concurso público para seleccionar um novo operador e melhorar o ambiente de negócios e “dar vazão às necessidades da população que é, cada vez mais, usarmos as tecnologias para aproximarmos as famílias e para que os empresários desenvolvam os seus negócios”.

O ministro considerou que os países têm que delinear políticas e acções alinhadas com a quarta revolução industrial, que definiu como a “revolução digital”, em torno do qual ocorrerem as discussões na 10ª Cimeira do BRICS, e que as autoridades angolanas “trabalham arduamente nesse domínio”. (Jornal de Angola)

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