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Abertura e mudança de política em Angola ofuscaram crise económica

As privatizações, o fim do monopólio estatal no setor dos petróleos e dos diamantes, as novas leis para atração de investimento diretor estrangeiro foram aspectos que marcaram o novo modelo político.

Angola assistiu em 2018 ao agravamento da crise económica, que obrigou a negociações de crédito no exterior, mas o olhar do mundo e do país focou-se na radical mudança de políticas, com abertura ao diálogo e o combate à corrupção.

O ano de 2018 foi o de consolidação do poder do Presidente João Lourenço, com a ascensão à liderança do Movimento Popular de Libertação de Angola (MPLA, no poder), que mudou uma série de protagonistas políticos e promoveu um combate sem precedentes à imigração ilegal e à corrupção, um processo que levou mesmo à prisão do filho do ex-Presidente José Eduardo dos Santos.

A prioridade foi a tentativa para repor a autoridade do Estado num contexto de forte retração económica e depreciação em quase 50% do Kwanza face ao euro e dólar, que levaram à intervenção do Fundo Monetário Internacional (FMI) num crédito de 3,7 mil milhões de dólares, mas também ao aumento da contestação social.

A abertura do Presidente à oposição foi também evidente, com audiências concedidas a muitos críticos, mas a crítica social permanece em crescendo, devido ao alto nível de desemprego, maioritariamente entre os jovens, e à nova lei que regula a prática religiosa.

O processo de privatizações, o fim do monopólio estatal no setor dos petróleos e dos diamantes, as novas leis para atração de investimento diretor estrangeiro e também a prisão preventiva de altas figuras do antigo regime de José Eduardo dos Santos, como a do seu filho, José Filomeno dos Santos, e do antigo ministro da Economia e Finanças de Angola, foram outros aspetos que marcaram o ano em curso.

Um ano depois de chegar à Presidência angolana (setembro de 2017), João Lourenço assumiu a liderança do Movimento Popular de Libertação de Angola (MPLA), pondo termo à bicefalia existente até então, uma vez que José Eduardo dos Santos manteve-se à frente do partido até ao Congresso extraordinário.

Ao longo do ano, João Lourenço percorreu várias capitais mundiais, entre elas Lisboa, procurando atrair investimento externo para diversificar a economia angolana, cuja dependência do petróleo ainda supera os 90%, com uma aposta centrada sobretudo na agricultura.

A imposição de João Lourenço de se repatriarem os capitais transferidos ilegalmente de Angola durante a vigência do anterior regime é outra das medidas que marcaram a governação, com o prazo para o regresso voluntário dos dinheiros sem penalizações a terminar a 26 deste mês, limite a partir do qual passará à fase coerciva.

As detenções de José Filomeno dos Santos, ex-presidente do Fundo Soberano de Angola (FDSA), ainda em prisão preventiva, e o afastamento da liderança de várias empresas estatais da empresária Isabel dos Santos, também filha do ex-chefe de Estado, bem como uma polémica em torno dos dinheiros deixados nos cofres do Estado em 2017 entre João Lourenço com o próprio José Eduardo dos Santos acentuaram a ideia de uma luta “cerrada” contra o “clã” dos Santos.

As palavras de João Lourenço no discurso de encerramento do Congresso, em que foi eleito com 98,95% dos votos, são prova disso, quando reiterou o combate à corrupção, nepotismo e bajulação, considerando-os “inimigos públicos número um” no país.

Por outro lado, ainda ao tomar posse como líder do MPLA, João Lourenço reconciliou o partido com a História, ao lembrar os nomes dos dois primeiros presidentes do então movimento guerrilheiro, Ilídio Tomé e Mário Pinto de Andrade, “omitidos” durante a vigência de Agostinho Neto e Eduardo dos Santos.

Outra “frente de luta” são as operações de moralização da vida pública em Angola lançadas no terceiro (“Transparência”) e quarto (“Resgate”) trimestres do ano, destinadas a combater o garimpo ilegal de diamantes e a imigração irregular (saíram “voluntariamente” do país cerca de 400 mil estrangeiros, maioritariamente oriundos da República Democrática do Congo) e para repor a autoridade do Estado em todo o país, acabando, entre mais de uma dezena de medidas, com as vendas de rua. (Observador)

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