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Viajando sobre o tapete asfáltico da Estrada Nacional Luanda-Sumbe-Benguela (1). Reportagem Nuno Santos

Quando passámos pelo Sumbe, a caminho de Benguela, estavam as máquinas a trabalhar na reposição do asfalto, no famoso Morro da Comarca que dá acesso à cidade. De regresso a Luanda, a fluidez do trânsito deu a entender que finalmente a via estava coberta pelo tapete negro, ocultando a triste recordação que era esperar pela luz do dia, para prosseguir viagem com destino às terras de Mombaka. Um ganho do PIIM a fazer a diferença no tempo em que a poeira apagou as acções e deu ao Sumbe o aspecto de cidade fantasma.

Viajar por Angola em tempo de pandemia é um imperativo, que nos permite ter a percepção de como está o país a respirar fundo. E a resistir à pressão do tempo, onde as limitações ditam regras muito rígidas à mobilidade.

No último fim de semana percorremos mais de 600 quilómetros entre Luanda e Benguela e pudemos observar como está o país a fazer face a este desafio, em que as estatísticas oficiais avançam números muito cautelosos, dando a idéia de que a pandemia está sob controlo, não havendo motivos para que o pânico se instale e faça das suas. Ou seja: vale mais prevenir do que remediar.

A viagem constituiu por isso uma oportunidade de sentirmos os benefícios da acção governamental e os efeitos perversos da pandemia que assola o mundo, de forma devastadora.

Visão ambiental da Barra do Kwanza, onde o rio termina a sua longa jornada de 960 quilómetros, juntando-se ao oceano Alt|antico (Foto: D.R.)

Olhando para o trajecto que liga a capital do país, à província da corrente fria, que concentra a maior biomassa pesqueira do oceano atlântico, diremos que a partir da comuna do Ramiro já se notam os efeitos da acção governamental, na manutenção do mais importante nó rodoviário que liga Luanda às províncias de Benguela, do Cuanza Sul e da Huíla, num traçado asfáltico que delimita a natureza geográfica do país.

Nota-se que o Fundo Rodoviário impôs a sua autoridade ao assumir a recuperação de parte considerável da malha asfáltica, que impedia a fluidez do trânsito entre as localidades acima referidas.

A partir do Cabo Ledo há sinais visíveis de melhoria, ao constatarmos a colocação de reflectores nas linhas divisórias da via, tornando mais segura a condução nocturna, sobretudo dos veículos pesados que transportam mercadorias de e para a capital do país, constitui um elemento de apreciação muito positivo.

Ponte sobre o Rio Longa, onde funciona o controle sanitário, a pedir obras de requalificação com urgência. (Foto: D.R.)

Tal acção representa um ganho para a segurança rodoviária requerida, pelos operadores de transportes de mercadorias e de pessoas, preocupados com o elevado índice de sinistralidade rodoviária registado nos últimos anos, nesta estrada nacional. Há ainda muito trabalho por realizar no troço, como a colocação de artefactos de comunicação para que se preste assistência em viagem aos operadores credenciados para o efeito.

Viajar pela estrada Nacional começa a ser agradável pelo trabalho de conservação da via realizado, embora haja intervenções ainda por fazer nas pontes sobre os rios Keve e Longa, com sinais visíveis de alguma intransitabilidade.

Elemento preocupante na viagem pela estrada nacional Luanda-Benguela-Lubango é a carência constante de combustível nos postos de abastecimento, o que tem causado sérias apreensões às pessoas que se vêm limitadas na satisfação das suas necessidades de combustível e serviços associados.

SINAIS DE VITALIDADE AGRÍCOLA E COMERCIAL

Aos poucos vamos assistindo nas localidades à oferta de serviços primários de vários tipos, como venda na estrada de bens de primeira necessidade, a preços concorrenciais, atraindo a atenção de viajantes, sobretudo os que reconhecem a vantagem do consumo de produtos naturais das nossas terras virgens.

Desde o leite fresco, aos hortícolas à carne de caça e peixe fresco e seco, as bermas da estrada nacional nº 100 começam a atrair as atenções daqueles que preferem produtos  naturais, com o timbre da saúde macrobiótica.

Vimos em Cabo Ledo, o despontar de uma idéia de mercado de frescos, desde o peixe à carne de caça, que necessita de um olhar clínico das autoridades sanitárias, a comprovar a qualidade e segurança alimentar, que muito carecemos no país. Desde os frescos aos produtos industrializados, que proliferam em muitas lojecas mamadús, pracinhas e pracetas nossas. É necessário cada vez mais a imposição de regras de consumo, em nome da saúde pública.

No Longa a saúde pública é zero. A administração local tem de impor regras de higiene à alimentação que é ali vendida e consumida sobretudo educar as jovens senhoras a venderem refeições quentes devidamente embaladas em boas condições de consumo. Não há higiene na praça onde se concentram camionistas e passageiros, numa zona de controlo sanitário à Covid 19 e o perigo de contaminação anda à espreita nos diversos estômagos que ali matam a fome.

Trecho de estrada Lobito Canjala, a demonstrar fragilidades, sem lancis de protecção às bermas. As chuvas torrenciais locais podem causar fissuras no asfalto. (Foto: Nuno Santos/PA)

A polícia exerce o seu trabalho com disciplina e rectidão, não molestando os viajantes com a pressão inicial do controle sanitário, aconselhando, exigindo disciplina militar nas regras de prevenção e combate à Covid 19 a quem quer que seja.

Depois disso o asfalto da Estrada Nacional nº 100 vai produzindo sensações de alívio aos viajantes, com as diversas intervenções das brigadas de requalificação das vias de comunicação degradadas pela acção do tempo.

A Canjala, quanto a nós é o troço que impõe cuidados numa larga extensão de asfalto ainda por reabilitar, denotando perigos não negligenciáveis às viaturas ligeiras e pesadas que por ali circulam para vários destinos. Como se diz na gíria angolana, todo o cuidado é pouco, quando pretendemos chegar ao destino em paz e segurança. (Portal de Angola)

(Continua)

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