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Transbordo do rio Coporolo: Mais de 12 mil habitantes sitiados na região do Luacho

Sociólogo Melo Tchanja partilha da ideia de que a movimentação da população da localidade do Luacho para outras zonas traria consigo outras consequências

Mais de 12 mil habitantes da localidade do Luacho, na comuna do Dombe Grande, província de Benguela, continuam sitiados, em consequência do transbordo do leito do rio Coporolo.

O administrador da comuna de Dombe Grande, Edgar Fernandes, lançou um alerta e pedido de socorro sobre a rotura dos diques de retenção que provocaram o vazamento das águas, que devastaram as culturas nas margens do rio. Lembrou que a situação agravou-se devido à fragilidade das obras paliativas realizadas.

O Jornal de Angola soube que a população sitiada resolveu utilizar canoas para o transporte de pessoas e mercadorias de uma margem para a outra do rio.

Entretanto, o administrador municipal da Baía Farta, José Ferreira, considerou perigosa a forma como a população faz a travessia, criticando os responsáveis pela transportação pouco segura e estarem apenas preocupados com o lucro. Sublinhou que, em função da actual situação, foram angariados bens de primeira necessidade, destinados à população isolada e em risco.

De acordo com o responsável, por se tratar de um problema cíclico, a solução do transbordo do rio Coporolo passa pelo desassoreamento regular do leito do rio e na construção e ampliação dos diques de retenção das águas.

O administrador municipal da Baía Farta considera que tais situações poderão ser ultrapassadas com a alocação de verbas destinadas a atender situações de calamidade natural na localidade, onde as fortes chuvas e correntes que se formam no rio provocam inundações cíclicas, que afectam a sede da comuna do Dombe Grande.

“Acredito que tão logo haja recursos disponíveis, o problema do rio Coporolo e de tantos outros que têm criado dissabores às comunidades, poderão ser resolvidos”, garantiu José Ferreira.

Reassentamento

Face à situação criada pelo transbordo do rio Coporolo, os membros do Conselho Municipal da Baía Farta reuniram-se na quinta-feira, 2, no sentido de criarem condições para o reassentamento dos habitantes das zonas ribeirinhas, para a localidade de Boa Amizade, onde foi identificado um espaço para loteamentos.

No encontro com a comunidade do Luacho, o administrador José Ferreira solicitou aos líderes comunitários no sentido de não construirem lavras à beira do rio, optando por outros locais para a lavoura sem a ameaça das cheias do rio.

Enquanto o Governo opta pelo reassentamento da população para a localidade de Boa Amizade, o cidadão José Luís, residente no Luacho há mais de 30 anos, reprova a ideia das autoridades municipais de os deslocarem para outras zonas, alegando questões de propriedade e investimento nas zonas que servem de sustento às suas famílias.

Apontou como solução, o desassoreamento do leito do rio Coporolo, para que a população possa viver de forma segura. Acrescentou que a resolução do problema não reside em desalojar a população daquela localidade para outra, mas sim no desassoreamento do rio.

“ O local onde pretendem colocar mais de 27 mil pessoas não oferece condições para acolher tanta gente, com diferentes estilos de vida ao longo dos anos”, disse.

Apesar da população do Luacho viver numa zona de risco devidamente identificada, o sociólogo Melo Tchanja, partilha igualmente da ideia de que a movimentação dessa população para outras zonas traria consigo outras consequências.

Para o especialista, o facto de constituir uma população que vive nessa localidade há mais de três décadas e habituado a um modo de vida ligado à agricultura, a sua movimentação de um ponto para outro acarreta outros problemas maiores.

“Eu penso que a solução para este problema, que já está identificado, passa mesmo pelo desassoreamento do rio”, lembrando que o município da Catumbela resolveu os mesmos problemas, com um grande trabalho de engenharia realizado pela construtora brasileira Odebrecht, que oferece hoje à região um quadro totalmente diferente.

“O rio transbordava e inundava a Vila da Catumbela e, pelo trabalho de desassoreamento, temos hoje o problema ultrapassado”, argumentou o sociólogo, que citou igualmente os problemas com que se debatiam os bairros da Calomanga e Caloburaco, em Benguela, onde foi efectuado idêntico trabalho de engenharia no rio Cavaco. (Jornal de Angola)

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