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População clama pela expansão da rede de distribuição de água

Habitantes da periferia da cidade de Caxito, na província do Bengo, pedem mais sistemas de captação, tratamento e distribuição de água potável, a fim de deixarem de percorrer longas distâncias para obtê-la.

Numa ronda efectuada pelo Jornal de Angola, em Caxito, vários munícipes manifestaram-se descontentes com a fraca capacidade do actual sistema de captação e distribuição de água à população, o que tem criado muitos transtornos.

António Galvino, residente no Bairro Sassa Caria, disse que a sua circunscrição não tem água potável, devido à inexistência de uma rede de distribuição domiciliar, fazendo com que os moradores sejam obrigados a consumir água retirada de uma sonda instalada na zona há um ano, situação que considera grave, devido às doenças que tem provocado.

A sonda de água funciona com energia eléctrica e está acoplada a uma motobomba e um reservatório de 200 mil litros. “Já informamos a Administração Municipal do Dande que a água posta à nossa disposição está a provocar inflamações na barriga e doenças diarreicas, sobretudo nas crianças\”, desabafou António Galvino, acrescentando que são obrigados a comprar água para beber, em tanques de vizinhos, a cem kwanzas o bidon de 25 litros ou duzentos kwanzas a banheira de 30 litros.

A munícipe Isabel da Silva diz ser uma situação lastimável ver cidadãos de cima a baixo, carregando bidões à cabeça, à procura de água potável para o consumo diário. Realçou que a água que acarreta diariamente das sondas instaladas na rua principal do Sassa Caria apenas serve para lavar a roupa, louça e outras tarefas domésticas, por ser salobra.

Isabel da Silva indicou que a menos de um quilómetro da zona onde reside está uma conduta, que abastece parcialmente a zona da açucareira, deixando de fora parte dos bairros Oito, Sassa Caria e o Projecto Habitacional do Sassa.

“Já falamos várias vezes com o coordenador do bairro e com as autoridades municipais e nada. Nós só queremos água potável, a energia não é preocupação, porque temos sempre\”, acentuou.
Os moradores do Complexo Residencial do Sassa Caria, na sua maioria funcionários públicos, também estão sem água, desde que receberam as residências, há cerca de três anos, sendo obrigados a recorrer aos caminhões cisterna, cujos preços rondam entre os doze e  os 14 mil kwanzas, por 12 mil litros de água potável.

Os bairros do Kissari, Kaboxa, Kirindo, Bula e Paranhos também debatem-se com a falta de água domiciliar ou de fontenários.
Importa realçar que, dos cerca de 100 mil habitantes do município do Dande, apenas 3.500 munícipes consomem água tratada, através de torneiras domiciliares, fontenários e de chafarizes. Na grande maioria das comunidades rurais o acesso à água é através de perfurações de poços artesianos, que, por sua vez, apresentam águas salobras, devido ao contacto com rochas no subterrâneo.

Cucu à espera de dias melhores

Na localidade de Cucu, comuna do Quicabo, província do Bengo, os habitantes têm recorrido às cacimbas, no sentido de obterem água para o consumo, devido à falta de sistemas de captação, tratamento e distribuição.

Bela Miguel Sebastião, que vive há anos no referido bairro, disse à reportagem do Jornal de Angola que as famílias são obrigadas a percorrer longas distâncias em busca de água potável, pois a proveniente de charcos e riachos é imprópria para o consumo.

“Anteriormente adquiríamos água através de cisternas, o tambor ficava pelo preço de 500 kwanzas, mas a mesma deixou de aparecer. Pedimos ao governo ou à Administração Municipal do Dande a abertura de furos de água, com urgência\”, disse Miguel Sebastião.
Para Deolinda Mateus, de 40 anos, muitas cacimbas, escavadas em terreno argiloso, secaram, mas ainda podem fornecer cinco ou dez litros de água imprópria/dia. “A população tem noção do perigo que representa o consumo de água imprópria, mas as leis da sobrevivência ditam outras regras”, disse Deolinda Mateus.

De realçar que nas áreas mais próximas, como Berila, Kipasso e Cucu, o normal é encontrar tambores à entrada das cubatas de capim, onde os aldeões esperam pacientemente que cisternas do governo levem água para beberem. Nas partes mais longínquas, como Tomba, Kapetelo 1 e 2, Kibonga e Dongo Mena, essa hipótese é remota, porque as picadas de terra batida não permitem a circulação de viaturas.

Os casos de sarna tendem a aumentar

O administrador do centro da localidade do Cucu, Joselino Fernando, disse que no primeiro semestre desde ano foram registados 72 casos de sarna, contra 12 no mesmo período de 2017. Explicou ainda que no período em referência foram registados 322 casos de paludismo, contra 397 em igual  período do ano passado.

Segundo Joselino Fernando, durante o primeiro semestre do corrente ano, registaram-se 102 casos de diarreia aguda, contra 132 em igual período do ano transacto.
Segundo o administrador do centro da localidade do Cucu, tirando a sede comunal, os outros bairros carecem de água potável, o que tem vindo a contribuir no aumento de casos de doenças.

Furos de água é a solução

Dados da administração comunal, fornecidos à nossa reportagem pela administradora adjunta, Isabel Lisboa, apontam que foram construídos, este ano, furos de água nas localidades Banza Bungo, Onzo, Fuesse, Tomba, Kipetelo I, Sapa, Sassa e Kibonga.

Isabel Lisboa disse que apenas alguns bairros poderão ser beneficiados, sublinhando que a administração pensa em construir tanques de água, com capacidade para 15 a 20 mil litros cúbicos, para acudir a população.

Explicou que o projecto abrange a construção de girafas na Estação de Tratamento de Água do Quicabo (ETA). Realçou que se o município do Dande tivesse pelo menos três camiões cisterna ficaria minimizado o problema de falta de água.
A comuna do Quicabo, que limita a norte com o município de Nambuangongo, a leste com Úcua e a oeste com o município do Ambriz, possui 2.872 quilómetros quadrados e uma população estimada em 13.511 habitantes. (Jornal de Angola)

Por: Pedro Bica | Caxito

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