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Na Cela: Mulheres exploram pedras e areia em condições desumanas

Nas montanhas da zona, de picaretas nas mãos, elas empregam toda a força quanto os seus braços lhes permitem para reduzir o tamanho das pedras.

O trabalho é penoso. De quando em vez, soltam lascas de pedras que se projectam para as suas pernas, abrindo-lhes pequenas feridas. Na língua local, elas lamentam o sofrimento. É desta forma que, no município da Cela, no Kwanza-Sul, centenas de mulheres ganham a vida a vender pedras, enquanto outras se dedicam ao comércio da areia extraída de um riacho.

Seis dias por semana, Juliana Tchopeto, residente no município da Cela, dirige-se a um riacho para retirar areia. Mergulha na água turva do pequeno rio, e, com auxílio de uma pá”, retira o inerte do seu leito, que depois deposita num ponto próximo. Diariamente, a mulher, de 39 anos, faz este trabalho em média por doze horas, chegando a mergulhar mais de vinte vezes para conseguir uma quantidade suficiente de areia para vender a` beira de uma estrada próxima. Esta e” a rotina de centenas de mulheres que exploram inertes naquele município da provi”ncia do Kwanza-Sul para garantir o sustento das suas famílias.

Um dos pontos de extracção localiza-se no bairro Mbuandangue, no munici”pio da Cela, onde muitas mulheres se dirigem diariamente a um riacho local com pás e banheiras para retirar areia. Elas mergulham quase a totalidade do corpo, ficando apenas com a cabeça fora da água e retiram areia, repetindo este movimento dezenas de vezes.

Muitas levam os filhos, incluindo crianças com menos de um ano de idade, que ficam na beira a` espera que as mães terminem a jornada de trabalho. Os mais crescidos têm a tarefa de recolher folhas e lenha para mais tarde as mães fazerem a única refeição do dia.

Juliana Tchopeto esta” envolvida no negócio há” vários anos sendo uma das mulheres mais antigas que se dedica a extrair a areia do leito do rio. Contou-nos que começou a fazer o trabalho em 2008 porque tanto ela como o marido estavam desempregados, com 8 filhos para criar e sem qualquer fonte de sobrevivência. Após várias horas de trabalho, ela carrega a areia retirada da água ate” a` estrada mais próxima e aguarda por clientes. A espera, na maior parte das vezes, e” longa.

“Vendemos cada monte de areia por 2.000 kwanzas, mas muitas vezes o cliente reclama e fica por 1.500. Aceitamos baixar o preço, só” para ter alguma coisa para comer em casa”, explicou. Diariamente, revelou, consegue em média 3.000 kwanzas mas, nos dias em que há” poucos clientes, acumula apenas 2.000. (Novo Jornal)

Por: Susana Mendes | João Faria

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