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Habitantes do Alto Catumbela clamam por água potável

Ganda - Moradores da vila do Alto Catumbela, no município da Ganda, em Benguela, solicitam das autoridades, a instalação de um sistema de captação e tratamento de água a partir do rio local, de modo a se evitarem os casos recorrentes de diarreia aguda e febre tifóide.

Segundo os cidadãos, que falavam hoje, quarta-feira, à Angop, o Alto Catumbela teve um sistema de tratamento de água em funcionamento até 23 de Março de 1983, altura em que o mesmo foi destruído durante o conflito armado, pelo que daí em diante a população tem consumido água retirada de cacimbas ou do rio local, o que está na origem de muitas patologias.

A cidadã Josefina Pole informou que existem apenas dois furos de água no Alto Catumbela, instalados nos bairros três e Vacaria, estando 12 zonas sem qualquer fonte de fornecimento do precioso líquido.

“As cacimbas estão em mau estado de conservação, não beneficiam de manutenção, o mesmo acontecendo com o rio, o que tem provocado muitas enfermidades”, disse.

Na mesma senda, Job Cassanji, outro morador, disse que além de casos de diarreia aguda e de febre tifóide, também são recorrentes casos de infecções da pele, fruto da qualidade da água utilizada pela população.

Já Maria Claver disse que as autoridades há muito que conhecem a situação, mas que até ao momento não existe uma solução para o problema que afecta cerca de 17 mil pessoas.

Vias de acesso, outra “dor de cabeça” no Alto Catumbela

O acentuado estado de degradação das vias de acesso aos bairros da vila do Alto Catumbela também está a criar muitos transtornos aos moradores dessas zonas, pelo que solicitam uma intervenção urgente das autoridades, no sentido de se reverter a situação.

Segundo os cidadãos, que falavam à Angop, as vias de acesso aos bairros um, dois e três (centro urbano) e da estação nova (zona periurbana) há vários anos que não recebem obras de melhoria.

O asfalto deixou de existir, apenas algumas estradas esburacadas de terra batida ainda vão subsistindo, enquanto noutros pontos, a mata “engoliu” as vias secundárias e terciárias, constatou a Angop.

Os cerca de 17 mil habitantes dessas zonas vivem dificuldades de vária ordem, uma vez que em determinadas áreas até a mobilidade por motociclos é bastante sofrível.

Segundo João Caterça, residente na vila do Alto Catumbela, a única estrada em condições na zona é a EN 260, pois, as demais, secundárias e terciárias, estão praticamente intransitáveis.

Disse ser lastimável assistir-se a degradação progressiva dessas vias, agravada com o aparecimento de ravinas, sem que ninguém apareça para intervir e inverter o quadro.

“Temos dificuldades de escoamento de mercadorias do campo para a cidade e vice-versa. De igual modo, quando alguém no interior dos bairros adoece, tem sido um Deus nos acuda para transportá-lo para a sede municipal”, relatou.

Para a cidadã Flora Supe, igualmente moradora nesta zona, não obstante a falta de meios das autoridades, estas devem sensibilizar e organizar as pessoas, no sentido de realizarem campanhas de limpeza das vias da circunscrição, para, pelo menos, minimizar a situação.

Entretanto, o administrador comunal da Babaera, Feliciano Chimuco, confirmou a situação, tendo culpabilizado a antiga direcção do Complexo Industrial da Celulose e Papel de Angola (ccpa) pela actual situação, pois, as condições financeiras na altura permitiam a reparação dessas vias.

Explicou que todo património existente no Alto Catumbela era pertença da ccpa, maior entidade empregadora da região, mas que essa não se precaveu na resolução destes problemas.

Informou que a administração gizou um plano, com o apoio de parceiros económicos, para, ainda neste mês de Maio, começar uma intervenção paliativa para recuperação de algumas vias da vila.

“Não existe um projecto oficial para recuperação das vias ou ruas de acesso à urbe do Alto Catumbela, daí existir uma iniciativa de mobilizar três operadores económicos do ramo da exploração de madeira, fazendas agrícolas e outros, para ajudar neste sentido”, disse.

Referiu que as vias de acesso à vila do Alto Catumbela não são intervencionadas desde 1985, altura da paralisação total da actividade da Companhia de Celulose e Papel de Angola (ccpa), então entidade encarregue da manutenção de todo património aí existente.

Relativamente a água, disse que a situação é do domínio das autoridades, mas que as condições financeiras do país ainda não permitem a resolução desta questão. (Angop)

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