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Doentes mentais em tratamento triplicam em um ano

Lobito - O número de indivíduos com transtornos mentais atendidos de Janeiro a Setembro deste ano, em Benguela, subiu para nove mil, face aos três mil que no mesmo período de 2017 tinham sido encaminhados para assistência nos Serviços de Saúde Mental desta região do país.

Os dados foram revelados, esta quarta-feira, à imprensa, pela supervisora provincial do Programa de Saúde Mental em Benguela, Sandra Mendes, quando falava no acto do 10 de Outubro, Dia Mundial da Saúde Mental, que decorreu na Administração Municipal do Lobito, sob o lema “ A Saúde Mental dos Jovens num Mundo em Mudanças”.

A responsável sublinhou que este aumento, embora preocupante, pode ser um bom indicador de que o programa está a surtir efeitos em relação à primeira estratégia para os cuidados primários, nomeadamente na educação comunitária para prevenção, tratamento, seguimento e reabilitação de doentes mentais.

A também psicóloga clínica realçou que a atenção secundária é outra mais-valia do referido programa e visa os doentes identificados pelos técnicos de saúde mental ou encaminhados pelas famílias para serem atendidos nos hospitais, especialmente por um profissional formado em urgência psiquiátrica.

Acrescentou que nos primeiros nove meses deste ano mais de 500 pacientes foram reabilitados, contra os cerca de 300 em igual intervalo temporal de 2017, o que representa uma evolução na melhoria do estado de saúde mental.

A especialista referiu que o número de internamentos e de tratamento ambulatório aumenta significativamente, na medida em que mais famílias vão enviando os doentes para os hospitais em vários municípios da província de Benguela.

“Isto resulta do redobrar de acções de comunicação e prevenção contra o consumo abusivo de bebidas alcoólicas e outras drogas que, entre outros factores, desencadeiam a doença mental”, como explicou.

Destacou, também, que a resiliência dos 41 psicológicos clínicos angolanos e das duas psiquiatras cubanas a serviço do Programa de Saúde Mental tem ajudado a despertar muitas famílias angolanas em Benguela, que até desconheciam que a doença mental era tratável, optando muitas vezes por acorrentar os pacientes em casa ou “abandoná-los à própria sorte”.

Mesmo assim, a supervisora alerta para a existência de muitos doentes mentais ainda sem uma assistência médica e medicamentosa adequada, isto porque, por conluio das famílias, estão ou em casa, a piorar cada vez mais, ou em centros de tratamento tradicional, muitos dos quais acorrentados há vários meses sob condições desumanas.

Dentre os casos mais atendidos nos primeiros nove meses de 2018, estão os transtornos psicóticos em pacientes dos 15 aos 50 anos com delírios e alucinações, manifestadas em casa ou na via pública, além da depressão, como fez saber Sandra Mendes.

Os serviços de Saúde Mental já funcionam em oito municípios da província de Benguela, notadamente na Baía Farta, Balombo, Bocoio, Benguela (sede provincial), Caimbambo, Catumbela, Ganda e Lobito. A supervisora acredita que o Cubal e Chongoroi podem ser incluídos, a partir de 2019.

Por outro lado, aquela responsável admitiu o desafio de fazer com que todos os técnicos formados em saúde mental trabalhem única e exclusivamente a nível desse programa, ao contrário do que acontece actualmente nalguns hospitais de Benguela, “onde o técnico ora é psicólogo, ora enfermeiro”. (Angop)

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