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Chipindo mergulhado em mar de dificuldades

O município do Chipindo, o mais afastado da província da Huíla, a 456 quilómetros do Lubango, conta, nesse altura, com uma população estimada em mais de 85 mil habitantes, que se mostram agastados com a carência acentuada em quase todos os aspectos da vida social.

A degradação das vias de acesso, a falta de canalização de água, o abastecimento irregular de energia eléctrica às residências e ausência dos serviços bancários são algumas  das preocupações apresentadas pela população, que enfrenta actualmente um surto de malária, que está a provocar  muitos óbitos. A região enfrenta, ainda, uma gritante escassez de fármacos.
Maurício  Dongala, de  34 anos, reside no Chipindo desde 2009, onde pratica a actividade de moto-taxista. Visivelmente aborrecido, desabafou que a vida naquela circunscrição é feita de arranjos.

O munícipe disse à nossa reportagem que tem atravessado muitos problemas na sua actividade de táxi, porque, por exemplo, quando adquire um pneu para a motorizada, que custa dez mil kwanzas, devido ao mau estado das estradas o mesmo não faz seis meses, situação vivida por muitos automobilistas, que, de uma maneira geral, assistem a deterioração dos seus veículos, numa altura em que as peças sobressalentes estão muito encarecidas no mercado.

Por seu turno, o técnico de saúde António Faustino Maria revelou que está a registar-se no município do Chipindo uma média  de dois óbitos diários, provocados pela malária.
António Faustino Maria lamentou o facto da situação da malária ter atingido níveis assustadores e as autoridades sanitárias do Chipindo não terem  condições para conter esta  epidemia. “Isto leva a população a pensar que os profissionais da saúde estão com espírito de deixa andar, o que não é verdade”.

O técnico de saúde informou, por outro lado, que a maior preocupação regista-se nas aldeias, onde, devido ao aumento de óbitos por malária e alguma desinformação da população, há actos de espancamento. Muitos jovens da região atacam fisicamente pessoas idosas, alegando que estariam a enfeitiçar os seus próximos.
António Faustino Maria considera ser ideal que o governo tomasse nota disso para investigar. “Há dias eu estava com uma mais velha que foi espancada na área de Mboloteque, porque foi acusada de estar a vitimar  pessoas, enfeitiçando-as, algo que não condiz com a realidade”, disse o nosso interlocutor.
Nesse momento, acrescenta, todos os processos de doentes que estão no internamento são de malária, além de casos de subnutrição.

O munícipe Francisco Ndivohane contou que no município os serviços de Saúde não abrangem todos, pois, no seu entender,  muitos evitam chegar às unidades sanitárias públicas, porque lá não há medicamentos e por não pretenderem receber apenas receitas.

Francisco Ndivohane disse que em muitos casos são evacuadas duas ou mais pessoas numa ambulância e que a população não possui meios financeiros para recorrer aos táxis, cuja corrida chega a custar três mil kwanzas por pessoa. Do Chipindo ao Huambo, de táxi, a corrida custa dois mil e quinhentos kwanzas. Em muitos casos as pessoas enfermas chegam a pagar pelo transporte cinco mil kwanzas.

Ausência dos professores

O secretário municipal do Sindicato de Professores, Francisco Ndivohane, está preocupado com as sucessivas interrupções que os docentes são obrigados a fazer todos os meses, para se deslocarem à província do Huambo ou à cidade do Lubango, para procederem o levantamento dos seus salários. (Jornal de Angola)

Por: João Luhaco | Lubango

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