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CFB projecta ligação ferroviária entre Lobito e Baía Farta

Lobito - A ligação ferroviária entre o Lobito e o município da Baía Farta, num total de 62 quilómetros, constitui prioridade entre os projectos do Caminho-de-Ferro de Benguela (CFB), para agilizar o transporte de sal e pescado e garantir a autosustentabilidade da empresa, segundo o seu presidente do Conselho de Administração, Luís Teixeira.

Questionado pelos jornalistas quanto à possibilidade da construção de uma linha férrea até à Baía Farta, principal centro piscatório da província de Benguela, o presidente do Conselho de Administração do CFB, Luís Teixeira, deu como certa a informação e sustentou que este projecto consta do Plano Director dos Transportes a nível nacional.

Aquele responsável acredita que a concretização desta obra será uma mais-valia, porquanto o CFB precisa de transportar, cada vez mais, mercadorias e aumentar as receitas da empresa.

A seu ver, a necessidade de revitalizar e expandir o segmento do transporte de mercadorias, nomeadamente de produtos locais como sal e pescado, a partir da Baía Farta, justifica o projecto dessa ligação, já apresentado ao Governo Provincial para estudo.

“Queremos fazer com que esta obra seja erguida”, declarou, optimista, o presidente da Administração do CFB, adiantando que a partir do “ponto de início” do futuro ramal [no Lobito] até ao município da Baía Farta, passando pela Catumbela e por Benguela, totalizam 62 quilómetros de linha férrea.

De acordo com Luís Teixeira, o projecto vai ter várias estações e também quatro pontes de diferentes dimensões. O destino final da linha férrea será a futura Cidade do Sal, que está a nascer na comuna do Chamume, na própria circunscrição da Baía Farta, tendo já várias salinas.

Porque o assunto está a ser discutido, com o envolvimento “tripartido” do CFB, Governo Provincial de Benguela e Ministério dos Transportes, Luís Lopes Teixeira julga ser prematuro, por enquanto, avançar com datas ou o montante financeiro para o arranque dos trabalhos.

Mas, perante a insistência da imprensa, aventou a hipótese de que só a montagem da linha férrea possa vir a demorar mais de um ano. Juntando a construção das estações e das pontes, o prazo de execução será de três anos, rematou, apenas em jeito de previsão.

Para essa empreitada futura na ferrovia do litoral de Benguela, que não obstante as várias empresas que possam vir a concorrer, a preferência das autoridades deverá, ao que tudo indica, recair à uma construtora chinesa, em face das parcerias já existentes, por exemplo, com a empresa China Railway – 20, conhecida como “CR-20”, que reabilitou os 1344 quilómetros de linha férrea do Lobito ao Luau, na província do Moxico, leste de Angola.

Governo apoia visão do CFB

A ligação da Baía Farta à linha ferroviária do Lobito e Benguela é para avançar, como admite Leopoldo Muhongo, vice-governador provincial para os Serviços Técnicos e Infra-estruturas, que confirma a recepção por parte do Governo Provincial da proposta do CFB.

O vice-governador garantiu que o projecto está a ser estudado de momento, porém antecipa que, com esta ligação, o CFB vai potenciar o transporte do sal e peixe, produtos que, através do Corredor do Lobito, poderão ser exportados aos chamados países encravados, a República Democrática do Congo e Zâmbia.

Por isso, o governante assumiu o compromisso de o Governo Provincial de Benguela vir, posteriormente, a remeter ao Conselho de Ministros a referida proposta, visando a sua avaliação e, consequente, aprovação.

O CFB surgiu em 27 de Novembro de 1902. Conta actualmente com 67 estações do Lobito ao Luau, na fronteira com a República Democrática do Congo, e uma frota de transporte ferroviário com 56 locomotivas, das quais 48 adquiridas à multinacional norte-americana General Electric (GE Transportation), e 66 carruagens de várias tipologias. (Angop)

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