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Jovens angolanos manifestam-se na Assembleia Nacional

As Organizações Não Governamentais Projecto Agir e a Plataforma Cazenga em Acção (PLACA), sedeados nos municípios de Cacuaco e Cazenga, manifestaram esta terça-feira em frente à Assembleia Nacional para exigir eleições autárquicas em todos os municípios.  

Dezenas de jovens manifestaram esta terça-feira em frente ao Parlamento angolano num momento em que os deputados estavam reunidos para aprovar o Projecto de Lei Orgânica e Funcionamento das Autarquias Locais e o projecto de Lei de Tutela Administrativa sobre as autarquias locais. Duas propostas de leis apresentadas pela UNITA, CASA CE e pelo governo. 

Nos dois diplomas o gradualismo continua a ser um ponto fracturante no pacote legislativo autárquico com o governo, MPLA, a defender o gradualismo geográfico.

A oposição defende que a Constituição admite um gradualismo administrativo porque nem todos os municípios têm os mesmos meios para ter autonomia política e administrativa.

“Queremos autarquias em todos os municípios”, “Gradualismo geográfico não” ou ainda “No meu município ninguém me representa”, foram frases destacadas em cartaz pelos manifestantes.

Vox pop de jovens que manifestaram em frente à Assembleia Nacional esta terça-feira13/08/2019

O activista angolano Scoth Cambolo (Chaka Chaka), coordenador da associação “Plataforma do Cazenga em Acção” (PLACA) um dos organizadores da manifestação, disse à RFI que defende “a implementação das autarquias em todos os municípios do país por não existirem razões para que o direito seja anulado”. Chaka Chaka crítica a actuação policial que tentou os mover à força com uso de porretes eléctricos e gás lacrimogéneo com balas de borrachas.

Activista angolano Scoth Cambolo, pseudónimo Tchaka Tchaka13/08/2019Ouvir

O Rapper de intervenção social, Jaime Domingos MC, descreve uma continuidade da ditadura apesar da troca de presidentes José Eduardo dos Santos para João Lourenço.

“A nossa Polícia é muito rude e brutal, é mal-educada, não poderiam vir com toda violência e força, mesmo com a mudança de José Eduardo dos Santos para João Lourenço, tudo o que há de negativo prevalece. Estamos descontentes com esta postura e, como cidadãos conscientes, o que estamos a tentar mostrar é a nossa insatisfação. Se haverá autarquias devem ser em todos municípios. Estamos a defender o direito de todos, até dos filhos dos polícias, porque os deputados da oposição são uma minoria na Assembleia Nacional e não conseguem defender-nos”, afirmou.

Activista angolano Jaime Domingos Mc13/08/2019Ouvir

Além de a polícia nacional ter impedido a realização da manifestação dos jovens, impediu também a entrada dos jornalistas na Assembleia Nacional. A polícia alegou que “os jornalistas não deveriam cobrir a manifestação, devia enquanto parceiros da polícia, minimizar a cobertura”, alegava o Intendente em serviço. (RFI)

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