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Falta às empresas agrícolas organização para o crédito

A maior parte das explorações agrícolas em Angola não está em condições de habilitar-se aos “créditos robustos” do Banco Africano para o Desenvovimento (BAD) e Banco Mundial (BM) para o aumento da produção, devido à insuficiências nos domínios da organização, contabilidade e auditoria, segundo o engenheiro agrónomo Fernando Pacheco.

Falando durante a apresentação do “Relatório Económico 2018”, do Centro de Estudos e Investigação Científica da Universidade Católica de Angola, Fernando Pacheco refutou a ideia, recorrente, segundo a qual a falta de crédito constitui um obstáculo ao desenvolvimento da agricultura do país.

“Isso não é verdade e, a prová-lo, está o facto de as linhas de crédito do BAD e do BM, que são robustas, serem direccionadas a essas grandes empresas, que, eventualmente, poderiam ter um papel importante no aumento da produção. São feitas exigências lógicas (organização, contabilidade, contas auditadas) e poucas são as empresas que podem responder a isso”, sublinhou o agrónomo.

Fernando Pacheco defendeu a necessidade de haver “bom senso” sobre o rápido aumento da produção das explorações agrícolas empresariais, actualmente, estimadas em oito mil , segundo dados oficiais. “Se formos verificar e aprofundar esse conhecimento, não chegam sequer a 1,00 por cento as que têm uma organização adequada, contabilidade, pagamento da segurança social e outras obrigações legais, enfim um protagonismo que justifique a classificação de unidades empresariais”, sublinhou.

O engenheiro agrónomo, colaborador do CEIC, destacou que os relatórios, sobretudo os de 2017 e 2018, têm vindo a melhorar significativamente, embora, ainda existam “algumas incongruências”. “Acompanhando a recessão económica do país, a agricultura teve, também, em termos nominais, uma recessão, de 2,00 por cento, não cresceu, embora do ponto de vista físico haja, realmente, um aumento de alguns produtos, mas, do ponto de vista nominal, isso não aconteceu”, adiantou.

Agricultura familiar

Fernando Pacheco sublinhou que uma análise da agricultura no país está ligada à estrutura de produção”, que é baseada, teoricamente, em mais de dois milhões de explorações agrícolas familiares, das quais apenas 12 por cento são assistidas pelas estruturas do Estado. Essas explorações, disse representam um recurso interno, que tem sido sistematicamente ignorado, por considerar-se, erradamente, serem apenas para a subsistência.

“Temos estatísticas simples, não só do próprio Ministério da Agricultura, como evidências empíricas, essas explorações são responsáveis por grande parte da produção alimentar do país”, argumentou, defendendo a melhoria das vias de acesso aos campos agrícolas para viabilizar o escoamento da produção.

Defendeu, por isso, mais atenção a essas explorações, “para terem confiança e aumentarem a produção dirigida para o mercado”. “Sempre que em Angola há melhoria nas estradas, significa que em determinada região aparecem compradores e isso representa um incentivo, há um movimento que provoca, inclusivamente, as trocas comerciais, além das fronteiras nacionais”, acrescentou.
“Se queremos melhorar a situação económica, através do crescimento e combater a pobreza, parece que temos aqui um caminho que é necessário explorar”, sublinhou Fernando Pacheco, reconhecendo, que “a agricultura começa a ser tratada de maneira diferente, não por opção dos angolanos, mas por causa da crise dos preços do petróleo”.

O engenheiro agrónomo considerou um “mito” pensar-se no aumento da produção apenas com a aquisição de meios mecanizados, como tractores, sem cuidar da assistência técnica, operadores, mecânicos, parque de máquinas, gestão ambiental entre outros aspectos. (Jornal de Angola)

Por: Leonel Kassana

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