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Fábrica de cimento Yeto quer aumentar linha de produção apesar da carência

Nos dois últimos anos a empresa teve um decréscimo significativo, o que implicou, em 2018.

A Fábrica de Cimento do Kwanza-Sul (FCKS), localizada no município do Sumbe, pretende aumentar, daqui há dois anos, a sua linha de produção com a criação de uma segunda unidade fabril, revela o director do departamento de vendas da fábrica detentora do Cimento Yeto, João Brito da Silva.

Em declarações ao Mercado, no âmbito da 4ª edição da Expoindústria/2019, recentemente realizada, o responsável explica que a companhia tenciona continuar a apoiar o mercado angolano de cimento para construção civil e atingir a liderança.

“A empresa surgiu para colmatar algumas lacunas no mercado angolano, onde ainda assim viemos adquirir muita experiência na produção de cimentos. Nós fabricamos e comercializamos no mercado angolano o cimento Yeto das três qualidades: Cimento Portland CEM II B-L 32,5N (ideal para construção de pequenas obras, tais como: residências, escolas, hospitais e para acabamentos) ao preço de 1750 Kz, o Cimento Portland CEM II A-L 42,5N (ideal para grandes construções, como as barragens, pontes, armazéns…etc) a 1850 Kz e o de tipo 52,5 ao preço de 1950 Kz”, afirma o gestor de vendas que, paralelamente ao cimento, acrescenta que também produzem e comercializam o Clínquer com o HFO, a principal matéria prima para a produção do cimento.

Actualmente a organização produz cerca de 4500 toneladas de Clínquer por dia e 4800 toneladas de cimento Portland por dia, perfazendo anualmente os 1,5 milhões de toneladas de cimento.

Em termos de venda, o chefe de vendas informa que nos dois últimos anos a empresa teve um decréscimo significativo, o que implicou vender uma média mensal de apenas de 70 mil toneladas de cimento em 2018, mas para o ano de 2019, a venda mensal reduziu drasticamente para uma média de 33 mil toneladas de cimento, uma variação negativa na ordem dos 53%. “Neste ano estamos a produzir em pleno, a nossa fábrica encontra-se em boas condições, mas infelizmente por causa da retracção do mercado, estamos apenas a utilizar 30% da nossa capacidade instalada”.

Quanto a facturação para este ano, apesar de não querer avançar os números, João Brito da Silva informa que pretendem atingir os níveis mais altos de rendimentos. “Apesar de apenas estarmos a utilizar menos de um terço da nossa capacidade produtiva, devido às dificuldades de obtenção de divisas, a empresa espera atingir bons resultados com a melhoria do mercado, assim como almejamos a uma maior cabimentação de verbas para as obras públicas nos próximos anos e que o cidadão recupere o poder de compra”, referiu.

Segundo o responsável das vendas, a FCKS existe desde 2008, mas o cimento começou a ser produzido integralmente no país a partir de 2014. A fábrica está localizada no Cuanza Sul, conta com uma frota de camiões que faz a distribuição em todo país, para satisfazer, em parte, a demanda que se propõe. “O facto de estarmos apenas no Cuanza Sul, temos alguma capacidade para escoar os nossos produtos em qualquer localidade do território nacional, basta o cliente ligar-nos e nós vamos ao encontro dele”, avança.

Outras Unidades

Para além da fábrica de cimento no Sumbe, composta por 70 colaboradores, dos quais oito são expatriados e com o escritório em Belas Business Park, Luanda, a companhia conta com uma fábrica de sacos de papel, com capacidade máxima de produzir cerca de 250 sacos por minuto e 11.000 sacos por hora, está projectada para produzir sacos de 3 a 4 folhas, de diferentes tamanhos, na gama de 25 a 60 kg, para consumo próprio e para fornecimento a outros clientes, quer no interior como no exterior do país.

Conta igualmente com uma Central de Energia com capacidade instalada de 41 MW, com duas estações de tratamento de água e de uma fábrica de Clínquer que, após resfriado é transportado em esteiras mecânicas até ao silo de estocagem onde aguarda a sua utilização no processo de moagem de cimento.

Recorde-se que a fábrica da FCKS foi encerrada em Novembro de 2017 devido a carência de divisas e reaberta em Abril de 2018.

Segundo os dados da Associação da Indústria Cimenteira de Angola (AICA) revelados na 4ª edição da Expo-indústria/2019, cerca de três mil milhões de kwanzas foram arrecadados pelas cinco cimenteiras nacionais, de Janeiro a Agosto deste ano, com a comercialização de 1.535.582 toneladas de cimento, contra as 2.620.115 toneladas em 2018.

As cinco cimenteiras têm uma capacidade agregada de mais de oito milhões de toneladas de cimento por ano e uma capacidade instalada para produzir seis milhões e 450 mil toneladas de clínquer por ano.

Actualmente, o preço por unidade de cimento está cifrado em 1.900 a 2000 Kz nos revendedores oficiais. (Mercado)

Por: Domingos Amaro

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