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Angola vai inaugurar fábrica de telemóvel orçado em 15 milhões de USD

Uma fábrica de telemóveis, tablets e computadores portáteis, construída na Zona Económica Especial Luanda-Bengo (ZEE-LB), em Viana, está quase pronta e espera apenas pela normalização das actividades económicas para ser inaugurada. O investimento total da Afrione ronda os 15 milhões de dólares e terá uma capacidade de produção de mais de 100 mil aparelhos tecnológicos por ano.

Os promotores da unidade fabril são os empresários de origem indiana do Grupo Contec Global, através da subsidiária Afrione, e o financiamento é assegurado pela linha de crédito de 2 mil milhões de dólares disponibilizado a Angola pelos Emirados Árabes Unidos (EAU).

Numa primeira fase, estão previstos 150 novos postos de trabalho para a linha de produção de telemóveis (80 por cento destinados a trabalhadores nacionais), que será a primeira a arrancar. Os preços dos aparelhos, segundo a previsão dos promotores, devem situar-se entre os 3 e 4 mil kwanzas, para os mais baratos, e cerca de 200 mil kwanzas para os mais evoluídos.

O projecto prevê ainda a instalação de centros de distribuição fora de Luanda, sobretudo em Cabinda, Uíge, Huambo e Benguela. A produção de computadores pessoais e outros acessórios, ainda sem data prevista, é outro dos objectivos dos promotores.

Segundo Deslandes Rafael, antigo vice-presidente da Federação Angolana de Patinagem e coordenador de logística da Afrione em Angola, a inauguração oficial da fábrica está atrasada devido à pandemia da Covid-19.

Os gestores da Afrione aguardam pela reabertura das ligações aéreas para voltarem ao país”, disse Rafael ao Jornal de Angola. Neste preciso momento, está a ser apetrechado o laboratório. A fábrica, dividida em três sectores (escritórios, fabricação e armazenamento), ocupa uma área de 1.140 metros quadrados e foi construída pela Zerca Angola.

Parceria com EAU

Para além da fábrica de telemóveis, a linha de crédito dos EAU está a financiar diversos projectos de investimento em Angola. O mais conhecido é a linha de montagem de tractores, mas também está prevista a instalação de uma fábrica de fertilizantes. A Fazenda América, dedicada ao sector agrícola, instalou-se no Cuanza-Sul. Também estão previstos investimentos futuros na produção de electricidade e gás.

Para além dos referidos projectos, no dia de 9 Dezembro de 2019, Angola e os EAU assinaram, no Dubai, um memorando de entendimento no domínio dos Transportes, assente numa parceria estratégica para desenvolver e alavancar diversas iniciativas.

Tal como Angola, os EAU – uma confederação de monarquias árabes localizadas no Golfo Pérsico – são membros da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (OPEP). Possuem a sexta maior reserva de petróleo do mundo e uma das mais desenvolvidas economias do Médio Oriente.

É um dos países mais ricos do mundo por Produto Interno Bruto (PIB) e por rendimento anual por habitante (54 mil e 607 dólares), de acordo com o Fundo Monetário Internacional (FMI).

Conheça a Afrione

O Grupo Contec Global está sediado em Londres, no Reino Unido, e agrega várias empresas que operam em países em desenvolvimento, mas também em economias avançadas. O grupo empresarial, que actua nos sectores de tecnologia, telecomunicações, agro-indústria, energia e hotelaria, é um negócio familiar de origem indiana.

Em África, um dos maiores investimentos do grupo foi instalado na Nigéria, também por via da Afrione. A primeira fábrica de telemóveis daquele país foi inaugurada em 2017.

O fundador do Grupo Contec Global é Benoy Berry, que actualmente é acompanhado na gestão pelos filhos Roheen Berry e Sahir Berry.

Em 2017, em entrevista à versão inglesa da revista Forbes, Sahir Berry explicou a aposta nos telemóveis e na fábrica montada na Nigéria.

“A dependência de smartphones produzidos a altos custos no exterior foi considerada uma oportunidade de negócio. Esperamos fornecer, não apenas a primeira tecnologia inteligente produzida e distribuída na Nigéria, mas também contribuir para a capitalização financeira dos africanos com o fomento dos pagamentos e empréstimos obtidos por via electrónica, tudo com o toque de um produto orgulhosamente nigeriano”, defendeu o gestor. (Jornal de Angola)

Por: Miguel Gomes

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