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Parceria da ONU com Universidade dos EUA ajuda jornalistas a relatar casos de violência de gênero

Fundo das Nações Unidas para a População, Unfpa, examinou reportagens sobre membros da comunidade Yazidi, que sofreram abusos; especialistas falam sobre consequências; muitas mulheres denunciaram os crimes esperando prestação de contas, mas outras tiveram receio de que a exposição lhes causasse ainda mais danos.

As Nações Unidas e a Universidade Rutgers, nos Estados Unidos, anunciaram uma parceria para apoiar vítimas de violência sexual e de gênero assim como jornalistas que escrevem sobre os casos. O acordo foi oficializado em meados de dezembro.

Num comunicado, divulgado em sua página na internet, o Fundo das Nações Unidas para a População, Unfpa, apresenta resultados de um estudo com integrantes da comunidade Yazidi, que enfrentaram crimes de escravização e violência sexuais pelas mãos do grupo terrorista Estado Islâmico do Iraque e do Levante, Isil ou Daesh.

A Dr. Nagham Nawzat é especialista no atendimento a sobreviventes Yazidi no Iraque. (Foto: Unfpa Iraq/Turchenkova)

Estigmas

O levantamento revela que o trabalho dos jornalistas ao reportar os casos é de extrema importância. Sem treinamento apropriado por parte do profissional, as sobreviventes da violência podem ficar expostas a estigmas e retaliações.

Muitas mulheres Yazidi viram na denúncia e na publicação na mídia de seus casos, uma chance para que a justiça fosse feita. Mas muitas outras acreditaram que a exposição poderia causar ainda mais danos.

A especialista em direito, Sherizaan Minwalla, que integrou o estudo, conversou com várias sobreviventes. A maioria dos entrevistados descreveu experiências que indicavam quebra de padrões éticos e uma ignorância sobre as consequências das histórias, uma vez tornadas públicas. Outras vítimas afirmaram que também havia uma falta de empatia, em alguns casos, sobre a extensão do impacto negativo sobre elas e suas comunidades.

Recursos

Com a parceria do Unfpa e o Centro Global de Liderança Feminina (Cwgl, na sigla em inglês), a agência da ONU espera que os jornalistas tenham mais recursos para navegar pelos perigos gerados com reportagens sobre o tema, e como eles devem ser tratados na hora de escrever a matéria.

O curso busca compreender o contexto e oferecer não só recursos, mas também recomendações além de outros pontos aos produtores das matérias.

O especialista em comunicação do Unfpa, na Jordânia, Jafar Irshaidat, contou que infelizmente muitos jornalistas acabam, sem querer, se tornando parte do problema ao relatarem as histórias dos sobreviventes de violência sexual sem os devidos cuidados.

Irshaidat ofereceu treinamento para os profissionais da imprensa no sentido de incentivar o trabalho deles na divulgação de casos de violência de gênero, e ao mesmo tempo informou sobre a possibilidade de que as matérias pudessem causar danos. O treinamento utiliza vídeos, seminários e mesas redondas, além de examinar questões de consenso, proteção, novos traumas e mitos.

Acnur
Unfpa apresenta resultados de um estudo com integrantes da comunidade Yazidi, que enfrentaram crimes de escravização e violência sexuais.

Sensibilidade

A repórter jordaniana, Bushra Nairoukh, que participou do curso contou que jamais havia pensando sobre a sensibilidade do tema, e que depois do treinamento, ela abordaria esses pontos em suas reportagens.

O Unfpa também tem cooperado com parceiros humanitários na produção de diretrizes para a mídia assim como um manual para jornalistas especializados na Síria. Os escritórios do Unfpa no Iêmen, na Síria e outras partes estão fazendo vários workshops.

O Centro Global de Liderança Feminina, da Universidade Ruthers, é o fundador da Campanha sobre 16 Dias de Ativismo contra a Violência de Gênero.

Aplicativo

Com base na nova cooperação, o Centro vai preparar um manual e uma página na internet, além de um aplicativo, para ajudar jornalistas nessa área.

No ano passado, a agência iniciou consultas com profissionais em Amã, na Jordânia, que pediram que os cursos chegassem até às redações incluindo aos editores.

Para o Unfpa, a iniciativa também de inspirar algumas soluções como a reportagem que evita detalhes invasores para focalizar no papel da dominância masculina, por exemplo, em casos de violência de gênero.

Já o Centro Global espera que o treinamento ajude a refletir sobre a narrativa da violência de gênero relatada na mídia.

A diretora-executiva do Unfpa, Natalia Kanem, afirmou que a parceria deve ajudar a acelerar ação e apresentar soluções. (ONU News)

 

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