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Investigadores de Coimbra estudam impacto do colesterol em excesso no cérebro

O colesterol em excesso presente no cérebro pode ter impacto na terapia de doenças degenerativas, segundo estudo coordenado por Luís Pereira de Almeida, investigador da Universidade de Coimbra.

Esta quinta-feira foi divulgado um estudo coordenado por investigadores do Centro de Neurociências e Biologia Celular da Universidade de Coimbra (CNC-UC) que revela que o colesterol em excesso presente no cérebro pode ter impacto na terapia de doenças degenerativas.

A investigação foi conduzida por Luís Pereira de Almeida (investigador do CNC-UC e docente da Faculdade de Farmácia da Universidade de Coimbra), porNathalie Cartier (do Institut National de la Santé et de la Recherche Médicale, de França) e por Sandro Alves (do Institut du Cerveau et de la Moelle Epinière, também de França) e “demonstrou de que forma a limpeza de colesterol em excesso presente no cérebro pode ter impacto na terapia de ataxias espinocerebelosas, como a doença de Machado-Joseph”, refere uma nota da Universidade de Coimbra.

A publicação na revista científica Acta Neuropathologicaavalia o papel da proteína CYP46A1 (responsável pelo processo de hidroxilação, ou seja, de transformação do colesterol em excesso) na ataxia espinocerebelosa do tipo 3, mais comummente designada doença de Machado-Joseph (DMJ), enfermidade hereditária, caracterizada pela descoordenação motora, atrofia muscular, rigidez dos membros, dificuldades na deglutição, fala e visão, e causada pela acumulação da proteína ataxina-3 mutante.

“Quando a função da proteína CYP46A1 se encontra diminuída, isso leva à acumulação excessiva de colesterol (uma molécula determinante na transmissão de mensagens entre neurónios), situação associada ao aparecimento de doenças neurodegenerativas. Por isso, o estudo procurou avaliar se o excesso de colesterol no cérebro poderá estar relacionado com a acumulação de ataxina-3 mutante, causadora da DMJ”, explica a Universidade.

A próxima etapa do estudo passará por perceber melhor como é que a limpeza do colesterol em excesso e autofagia (processo pelo qual as células degradam e reciclam os seus componentes) se relacionam com a acumulação de ataxina-3 mutante.

“A compreensão destes processos poderá ter um grande impacto clínico em várias doenças neurodegenerativas. Poderemos ter uma estratégia terapêutica mais geral, que – se não puder curar – possa pelo menos aliviar estas doenças, recorrendo a processos mais simples e económicos [do que as estratégias direcionadas para os genes causadores de doenças do cérebro], conclui Luís Pereira de Almeida.

O trabalho contou com o financiamento da Comissão Europeia (programa JPND co-fund), do Fundo Europeu de Desenvolvimento Regional (FEDER), do COMPETE 2020, da Fundação pela Ciência e Tecnologia (FCT), do NeuroATRIS, do Fundo de Investigação para a Doença de Machado-Joseph de Richard Chin e Lily Lock, da Fundação Nacional de Ataxias e da Fundação para a Investigação Médica de França. (Diário de Notícias)

 

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