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Turismo, a indústria da prosperidade

A indústria do Turismo tem ganhado uma importância decisiva nas economias mais avançadas, com uma contribuição expressiva no produto e criação de emprego, e representa cerca de 10 por cento do PIB mundial. A tendência de crescimento deste sector também é justificada pela oferta de diversificação turística a nível mundial, de forma que os cidadãos se vêem estimulados a aceder a um conjunto de bens e serviços, que anteriormente não usufruíam, e o desejo de conhecerem novos destinos para férias.

O sector do Turismo é uma indústria com enorme potencial de crescimento em Angola. O país, pela sua cultura, biodiversidade e clima, apresenta um nível de atractividade turística apreciável, que contrasta com o estado das infra-estruturas que concorrem para o acesso e fruição da atracção turística, tais como estradas, aeroportos, diversidade de hotéis e de equipamentos de restauração, transportes, agências de recepção – que organizam excursões – comércio local, infra-estrutura técnica de saneamento, vias de acesso e segurança e serviços, estes indispensáveis numa determinada oferta turística.

Com base em dados recentes, houve uma queda da actividade turística, sobretudo em 2019, com uma redução de 33 por cento das entradas de turistas, o que ocasionou uma redução de 15 por cento dos postos de trabalho associados.

É importante ainda referir uma redução de 34por cento do investimento em novas unidades hoteleiras. O cenário desanimador permaneceu em 2020, com o efeito da Pandemia da Covid-19, que se propagou aos diversos sectores socioeconómicos.

Porém, esta constatação não nos deverá por de braços cruzados; devemos, antes, lutar nas mais diversas esferas para erradicar os efeitos perniciosos que derivam desta pandemia.
Assim, o país tem aumentado, de forma modesta, o PIB do sector, mas, comparando a posição de Angola à de países africanos, tais como Egipto, Nigéria, Quénia, África do Sul, nota-se que é preciso melhorar a colocação no contexto internacional, visto ser um sector que se espera como alavanca de receitas para o Estado e como porta de entrada de divisas para o país.

Com base nos resultados do estudo realizado pelo Instituto Nacional de Estatística (INE), em 2019, o sector do Turismo representava cerca de três por cento do PIB, uma quota muito aquém do desejado e que pode ser trabalhada de forma a alcançar resultados mais encorajadores para o sector.

Nesta perspectiva, é importante que o Estado, municípios e a iniciativa privada entendam a importância estratégica do Turismo, não apenas em termos de lucro gerado, mas no impacto benéfico que exerce a nível da geração de emprego e renda.

Mas é preciso não só implementar boas políticas públicas de Turismo, como também gerar estratégias específicas de criação de produtos turísticos estruturados, que permitam aumentar a procura existente e consolidar o Turismo, não só no que concerne ao segmento internacional, como também o Turismo nacional, que deve ganhar importância, estimulando as famílias angolanas a visitarem locais pouco explorados na geografia nacional.

Estamos, certamente, perante um novo ciclo económico, que se manifesta com sinais de melhoria em alguns sectores, mas que ainda não se fazem sentir de forma a evidenciar a diversificação da economia, de forma consistente e sustentável.

Portanto, a melhoria deste cenário passa, necessariamente, pelo reforço da diversificação da economia e a alteração da estrutura económica nacional, que detém actualmente cerca de 9.2 por cento no sector Agrícola, 65.8 por cento na Indústria e 24.6 por cento no sector terciário.

A ideia de que o Estado é o único promotor do desenvolvimento deve ser abandonada, pois uma sociedade civil bem organizada e um empresariado activo poderão desempenhar um papel de grande importância no desenvolvimento económico, com ênfase ao sector do Turismo, que merece a máxima atenção.

A indústria turística está a despontar e, por ser uma actividade da qual não possuímos tradição, até pelas especificidades que a norteiam, urge-se a implementação de mecanismos para o incentivos da mesma.

A indústria da Construção afirma-se como uma alavanca poderosa do sector turístico nacional, uma vez que suportará a criação das infra-estruturas necessárias, levadas a cabo sobretudo pelo sector privado, incrementando todo o tipo de operações que visem concretizar projectos, com recurso as Parcerias Público-Privadas (PPP). Estas parcerias trazem vantagens financeiras, como controlar a despesa pública e realizar investimentos. Por outro lado, são usadas como forma de financiamento ás empresas e repartição do risco.

Os grandes projectos vinculados às políticas de desenvolvimento do Turismo dependerão da aposta que o país fizer ao nível do desenvolvimento de projectos de sustentabilidade a longo prazo, em detrimento de projectos de fraco alcance estratégico. (Jornal de Angola)

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