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Ministro admite que Estado poderia ter de apoiar TAP mesmo sem pandemia

O ministro das Infraestruturas reiterou que, se os acionistas privados da TAP não tiverem capacidade para investir, o Estado pode fazê-lo.

Pedro Nuno Santos não descarta que o Estado tivesse de apoiar a TAP mesmo que a companhia aérea não tivesse sido afetada – como a restante aviação civil – pela pandemia de covid-19. “Temo que sim”, que o Estado teria de intervir na TAP mesmo sem Covid-19, indicou o ministro das Infraestruturas e Habitação, no Parlamento, respondendo a pergunta dos deputados.“A mim foram me sempre dizendo, a seguir é que é. Quando apresentaram o orçamento da TAP para 2018 prometia lucro. Prejuízo acima de 100 milhões de euros. O orçamento que apresentaram para 2019 prometia lucro. Prejuízo acima de 100 milhões de euros. Sempre me diziam: é já a seguir que vai começar a levantar e a dar dinheiro”, acrescentou.

Salientando que “gostava muito de acreditar que a empresa sem [a pandemia de] Covid-19 ia voar que era uma coisa estonteante e dar lucro” mas o que me “prometiam não deu para ver”, por isso, “faço ao que sei, acho que caminhávamos para aí”, ou seja, para um apoio público.

Quando foram conhecidos os resultados da TAP de 2018 – mais de 100 milhões de prejuízos, com as contas a serem penalizadas nomeadamente pela flutuação dos preços do petróleo e pelas elevadas indemnizações que a empresa teve de pagar devido aos atrasos e cancelamentos – o Estado mostrou-se pouco agradado com os números. E quando o tema de uma eventual injeção de capital surgiu, o governo negou que essa possibilidade fosse efetivada. A relação entre o Estado e a gestão da empresa, totalmente a cargo do consórcio Atlantic Gateway de Humberto Pedrosa e David Neelman, ficou ainda mais tensa quando, em 2019, a TAP pagou prémios de desempenho a alguns funcionários, relativos ao ano de 2018.

Os prejuízos de 2019 agravaram ainda mais o clima já difícil entre as partes. A pandemia de covid-19 paralisou praticamente toda a aviação civil. As várias companhias aéreas na Europa registam prejuízos – ainda não são conhecidos valores concretos de cada uma – e os Estados estudam mecanismos para ajudar as transportadoras. A Air France-KLM, de acordo com o que foi noticiado, poderá receber garantias de Estado tanto da França como dos Países Baixos para contrair empréstimos. Na Alemanha, o governo de Angela Merkel admite um resgate de vários milhões de euros à Lufthansa, uma das maiores empresas de transporte aéreo no Velho Continente.

No caso da TAP, a companhia tem 90% dos seus recursos humanos em lay-off durante este mês de abril e já revelou que pediu um alargamento deste regime para maio. Além disso, pediu já outras medidas de apoio ao Estado, nomeadamente diferimento no pagamento de alguns impostos. Por outro lado, a empresa liderada por Antonolado Neves pediu garantias ao Estado para duas possíveis operações de financiamento, por parte do Haitong e do ICBC Spain, para um total de 350 milhões de euros, segundo uma carta enviada ao regulador no dia 20 de Março. Esta manhã, o ministro das Infraestruturas, no Parlamento disse que “350 milhões de euros não resolve o problema da TAP.

O privado que diga a verdade toda sobre quanto é que acha que precisa até ao final do ano e que não passe para os jornais só o que lhe interessa”. Pedro Nuno Santos, na sua última intervenção no Parlamento, reiterou a posição já avançada: “Se os sócios da TAP tiverem vontade e capacidade de se chegarem à frente [e investirem na companhia] façam o favor; senão tiverem capacidade para se chegarem à frente, está o Estado português porque precisa desesperadamente da TAP”. (Dinheiro Vivo)

Por: Ana Laranjeiro

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