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Enfermeiros reformam-se com a categoria de ingresso no MINSA

O número de vagas para a classe dos enfermeiros na província de Benguela tem sido, muitas das vezes, pequeno, assim como para as de promoções. Pelo facto, os técnicos de enfermagem ficam numa categoria durante muito tempo.

Embora a presidente do Sindicato dos Enfermeiros na província de Benguela, Helena Moteba, não tenha um número exacto de enfermeiros reformados com a mesma categoria de ingresso, a cifra ronda 20 profissionais. É uma situação lamentável, porque “o normal seria vermos as nossas categorias actualizadas de três em três anos, coisa que não acontece, por falta das vagas”.

Para além das condições de serviço que considerou péssimas, tendo em conta que não têm material gastável, há também registos de técnicos que ficam de 20 a 30 anos numa categoria, e a ganhar um salário muito baixo. Helena Moteba acredita que a situação que se vive na sua localidade é de âmbito nacional, ou seja, regista- se a mesma realidade noutras províncias, apesar de que, “podemos encontrar algumas em que não estão tão mal assim, bem como outras que estão muito pior”, defendeu.

A sindicalista fez tais declarações, em exclusivo ao OPAÍS, à margem da Assembleia Nacional que o Sindicato Nacional dos Enfermeiros de Angola realizou em Luanda, onde aproveitou para confirmar que os enfermeiros em Benguela também vivem várias dificuldades, sobretudo no que concerne ao salário mínimo, que não é compactível com o custo de vida.

Quanto aos técnicos que atingiram o nível superior, mas ainda não auferem o salário devido ou correspondente ao grau escolar, afirmou que estes ficam entre seis a sete anos (ou mais), a ganhar como enfermeiros de 3ª ou de 2ª categoria. Por seu turno, o secretário-geral do Sindicato dos Enfermeiros na província do Cuanza-Sul, Manuel Ernesto, disse que a sua classe tem estado a acompanhar a evolução do país, pelo facto, a preocupação consiste em continuar a bater-se pela progressão na carreira, uma vez que consideram fundamental este aspecto.

Postos de saúde encerrados por falta de quadros

A falta de recursos humanos a nível daquela província é também outro problema apresentado pelo sindicalista, sendo que, actualmente, têm apenas um enfermeiro em cada posto de saúde, e muitos outros encontram-se encerrados por falta de técnicos. “Para além de o Estado dar a estes profissionais um salário digno, bem como qualificá-los, é importante que na atribuição de escalões remuneratórios se tenha em conta não apenas o nível académico, mas também o tempo de serviço”, é a opinião de Manuel Ernesto. Entretanto, o director nacional dos recursos humanos do Ministério da Saúde, Óscar Isalino, explica que actualmente estão a ser criadas novas carreiras que já foram aprovadas em Conselho de Ministros.

Estão a trabalhar com os sindicatos para a criação de regras, de modos a que os profissionais transitem das actuais carreiras para as novas. Quanto aos enfermeiros que foram para a reforma com a mesma categoria em que entraram, afirmou que os mesmos não beneficiaram da revisão de carreira que está a acontecer agora.

“Estas são situações que não foi possível acautelar naquela altura, porque na época não existia uma nova carreia”, explicou Óscar Isalino. Porém, actualmente, o Ministério da Saúde está a dar prioridade aos profissionais que estão em vias de entrar para a reforma, de acordo com aquele responsável. (O País)

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