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Yola Balanga ‘reivindica’ o corpo da mulher através da arte

Yola Balanga é das mais promissoras artistas nacionais e integra o grupo dos primeiros formandos, no país, em Artes Visuais, pelo Instituto Superior de Artes.

Yola Balanga define-se como sendo uma artista visual, cujo mote do seu trabalho centraliza-se no corpo, sobretudo o da mulher, pois para ela, tem muito a dizer, principalmente na sociedade angolana, que oprime, transgride, ofende esse mesmo corpo, deixando ele preso, limitado sem conteúdo, sem espírito e vazio. “Eu não quero fazer Arte silenciosa, arte fria que não diz nada.

Quero ser a tradução da transcendência do meu corpo, transgredindo limitações e imposições sobre esse mesmo corpo intemporal e que sempre tem algo a dizer e eu, tenho muito para dizer”.

É com este preâmbulo que Yola Balanga justifica a escolha em trabalhar com o corpo humano, pelo facto de considerar que fala, tendo muito a dizer, a ensinar, e acredita que o corpo feminino tem muito mais a dizer, com ênfase na sociedade angolana, que oprime, transgride, ofende esse mesmo corpo, deixando ele preso, limitado sem conteúdo, sem espírito e vazio.

Por essa razão, o corpo humano foi por si escolhido, na intenção de ter a carta de liberdade do seu próprio corpo, porque só assim se consegue questionar sobre esse corpo, se consegue transcender e ir além de, como faz referência a OPAÍS. Neste sentido, está patente exposição online, no site cabana de arte, sob a chancela do projecto “BangaNossa”, em que espelha este conceito intitulada “Corpo Expandido”. Trata-se de uma mostra individual com trabalhos expostos desde o ano passado.

O conceito “Corpo Expandido” é um conceito que em que a artista agrega a sua prática artística, como sendo o corpo em vários suportes, uma vez que a sua prática artística está mais voltada para “Performance Art”, e tratando-se de uma arte muito efémera em termos de duração, a ideia de corpo expandido é que agregue a essa arte “efémera”, mais durabilidade.“Que sejam reunidos mais corpos, mais suportes, ou seja, começar com a performance, uma arte corporal, e dessa mesma performance criar obras em pintura, fotografia, vídeo e o que for”, explicou a artista. Desafio internacional Yola Balanga desafiou-se a si mesma, apostando no mercado internacional, tendo por isso contra todas expectativas, inscrito o seu trabalho em performance, que depois de aceite, levou-a a participar em Setembro de 2019, de uma residência artística em Madrid (Espanha).

Lá apresentou a performance “Casa de Tinta” em questiona os rituais de iniciação feminina (Tchikumbi), que envolve a transformação e mercantilização do corpo da mulher, que pode ainda ser vista no YouTube, além de obras de obras em pintura, que exibiu. Experiência A artista considerou ter sido uma boa experiência a que viveu em Madrid, porém, é modesta quando tem de pôr na balança as duas realidades: “Nem sei se existe uma ‘comparação’ possível, pois são realidades diferentes, com compressões diferentes de ‘arte’”, salienta. Todavia, a residência em Madrid no Atelier Solar, teve o cunho mais de internacionalização da sua minha prática, em que aproveitar projectar a sua prática artística sem falar que os trabalhos apresentados, foram completamente inéditos.

“Os trabalhos foram desenvolvidos 100 por cento lá, e já a residência Luanda foi gratificante, por ser no meu país, aprender, conhecer e entender um pouquinho mais a história, estórias e outras vivências no espaço em que nasci, cresci e vivo, foi mais como uma terapia de autoconhecimento e de certa forma sentir algum carinho, por parte do país, do ‘mercado’ de arte, que como sabemos é difícil ele chegar”, rematou.

Outros trabalhos A artista participa nesta altura na exposição online organizada pelo colectivo LabCC, uma mostra colectiva que ainda patente e pode ser visitada. Nessa exposição participa com uma obra de pintura “Probabilidades Possíveis”. Trata-se de uma reflexão sobre o poder público que há muito tempo foi tirado das mãos do povo, segundo visão de Yola Balanga.

Projectos A curto-médio-longo prazo, apesar da pandemia a artista está envolvida em vários trabalhos, em que destaca com a operadora de telefonia móvel Unitel e a Galeria Espaço Luanda Arte, em que desenvolvem um projecto Socio-Cultural com Lares e Centros de apoio a Crianças e também projectos pessoais que visam criar diálogos sobre a situação actual em que se vive com o novo coronavírus. Perfil Yola Balanga nasceu a 26 de Maio de 1994 na cidade de Luanda. Não considera arte como sendo uma escolha sua, pois não foi fácil ir por esse caminho da “arte”, tudo devido a dificuldades aceitação quer familiar assim como o receio de como podia ser encarada pela comunidade à sua volta.

Tudo isso envolvido, ia criando de certa forma certa forma, alguma insegurança pessoal. Com esses pressupostos, realça que a arte não foi uma escolha. Simplesmente a faz, por sentir-se bem, e é por isso de opinião, que cada um tem de fazer o gosta. Porém, a sua ligação a arte começou por ser mais voltada a moda, isso ainda na sua adolescência, e essa ligação foi uma das principais razões de ter feito por isso a formação em Artes Visuais no Instituto Superior de Artes, mesmo depois de ter feito, na altura, ter concluído o médio em Contabilidade e Gestão. Hoje é das mais promissoras artistas do país, tendo já sinalizado experiência internacional de que vai continuar a prosseguir. (O País)

Por: Jorge Fernandes

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