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Prémio “Fragata de Morais” distingue grupos de teatro

A família do escritor e dramaturgo Fragata de Morais vai homenagear os grupos de teatro que melhor adaptarem a obra “A visita”, durante a 5ª edição do Circuito Internacional de Teatro (CIT), que se realiza de 3 de Julho a 17 de Setembro, na Liga Africana, em Luanda.

Em declarações, ontem, ao Jornal de Angola, o director do CIT, Adérito Rodrigues “BI”, disse que, este ano, o festival tem como novidade a institucionalização do prémio “Fragata de Morais”, cujo objectivo é homenagear o dramaturgo pelo percurso artístico, que sempre esteve dividido entre a política e a literatura, tendo frequentado a Universidade Internacional de Teatro em Paris e a Academia Holandesa de Cinema.

Caso haja declinação da família quanto ao prémio “Fragata de Morais”, ele é uma certeza para a próxima edição do CIT, como promessa garantida do promotor do festival. “Se a família desistir, temos que arranjar um patrocinador para ajudar-nos a cobrir a despesa do prémio”.
De acordo com o responsável do festival, o prémio deve distinguir os três melhores grupos de teatro nas categorias de conteúdos, figurino e sonoplastia, que melhor adaptarem a obra “A visita ”. O júri, disse, deve ser presidido pelo próprio homenageado.

Durante um encontro de auscultação e concertação realizado nas instalações do Colégio Pitabel, em Luanda, com os responsáveis dos grupos de teatro seleccionados para a próxima edição do CIT, foram unânimes em aplaudir a criação deste prémio. “Embora sejam prémios à parte das distinções do CIT, temos interesse de continuar com a parceria por trazer outros estímulos aos grupos participantes no festival”.

Este ano, explicou, já foram anunciados pela organização os grupos angolanos seleccionados para o festival, que se realiza sob o lema “Angola 45 anos com teatro na promoção da cultura de paz”.
Para justificar o lema deste ano, disse, deve ser preparado um plano alternativo, que se pretende estender um pouco mais, de maneira a permitir que os grupos possam exibir também peças que retratem a história do país. “Estamos a estudar a possibilidade de arrastar o festival até Novembro para fazer coincidir com a festa da Dipanda.”

Foram seleccionados os grupos Ombaka e 5 de Junho, de Benguela, e Olombangui, do Bié, além dos colectivos da capital do país Feloma, Ndokweno Artes, Miragens, Xabada Uiza, Molongi ya Mbote, Enigma Teatro, Nelca Teatro, Nova Cena, Kambartes, Conjuntura d’Artes, Imbondeiro, Etu-Ngo, Kipapumunu, Njila Teatro, Génese, Twabixila, Bando Justiça e Artes e Projecto Atuacam – Católica e Pitabel.

Esta edição tem como convidados os grupos Etu Lene, Elinga Teatro, Julu, Oásis e Horizonte Njinga Mbande, todos de Luanda, pelo contributo ao desenvolvimento das artes dramáticas, quer internamente quer além-fronteiras.
Quanto à selecção dos grupos internacionais, Adérito Rodrigues garantiu que o processo está a ser conduzido pelo curador do CIT 2020, o director do grupo de teatro português Folha de Medronho, João de Melo Alvim.

Percurso do homenageado
Manuel Augusto Fragata de Morais nasceu no Uíge, no dia 16 de Novembro de 1941. Dividido entre a política e a literatura, Fragata de Morais foi jornalista, actor, dramaturgo, cineasta, tendo frequentado a Universidade Internacional de Teatro em Paris e a Academia Holandesa de Cinema. A convite da Academia de Artes Dramáticas da Holanda escreveu, realizou e encenou o trabalho de teatro infantil “Gupia”. Fragata de Morais apresentou o trabalho no Holland Festival e no Berlin Kinder Und Jugendtheater, em 1971. No The Frist Company, o seu próprio grupo de teatro, realizou, encenou e actuou em “The Indian Wants the Bronx” de Israel Horowitz, “Fando e Lis” de Arrabal, bem como “The Hole”, “Agonies” e “Sketches”, todos da sua autoria. De 1972 a 1975, frequentou a “Netherlands Film Academy”, produzindo para a televisão holandesa documentários sobre Angola. (Jornal de Angola)

Por: Manuel Albano

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