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Marcelino Sambé. O percurso de um bailarino português “extraordinário”

Foi em Paço de Arcos que começou a dar nas vistas o bailarino português que agora chegou a a bailarino principal da companhia de dança Royal Ballet, do Reino Unido. Aos 25 anos e inúmeros prémios depois, o topo que alcança é mais uma prova do talento que lhe adivinharam

Só os mais desatentos poderão esta sexta-feira ter ficado surpreendidos com a passagem do bailarino português Marcelino Sambé a bailarino principal da companhia de dança Royal Ballet, do Reino Unido. A julgar pelo percurso, pelas críticas e pelas distinções amealhadas ao longo da carreira, o lugar parecia estar-lhe reservado. E há sinais que não enganam.

“Impressionante leque de capacidades artísticas”, justificou o diretor da companhia de bailado, Kevin O’Hare, ao anunciar que o português assumirá o lugar de topo na temporada 2019-2020. Para Sambé, é seguramente mais um objetivo cumprido. Ele mesmo o tinha assumido como meta, quando em 2017 fez a passagem a primeiro solista do Royal Ballet, chegando a nova promoção como o justo prémio para “um ano fantástico com algumas estreias notáveis”, como sublinhou O’Hare.

Tem sido sempre a subir. Desde que começou a dançar – bem novinho, no Centro Comunitário do Alto da Loba, em Paço de Arcos – o bailarino não parou de dar nas vistas, e sempre pelos melhores motivos.

DO FUNANÁ AO BALLET

Filho de pai guineense e mãe portuguesa, nasceu em Lisboa (ele há coisas do destino) no Dia Mundial da Dança, a 29 de Abril. Foi no ano de 1994 e não havia de ser preciso esperar muito tempo para se perceberem os seus dotes para o palco. É verdade que o ballet chegaria depois, mas no Alto da Loba, no grupo Estrelitas Africanas – como contava um artigo do Expresso em 2009 – já poucos mexiam as ancas como ele ao ritmo do funaná ou do hip hop.

Marcelino Sembé em pleno exercício artístico ao encontro dos deuses do Olimpo
(Foto: D.R.)

É desse tempo a amizade com Telmo Moreira, outro bailarino português a dar cartas no mundo e que Marcelino Sambé diz ter tido grande influência no seu percurso. “Sem ele, eu não era nada. Foi ele quem me ensinou os primeiros passos”, disse ao Expresso quando tinha 15 anos.

Passaram 10 anos e já nessa altura Sambé somava todo o tipo de prémios. Nacionais, claro, mas também carregadinhos de diferentes sotaques, como os que recebeu em Pequim, Moscovo, Berlim, Lausanne ou a distinção do Youth American Grand Prix Competition, na categoria de júnior, em Nova Iorque.

“BRILHANTE” E “EXTRAORDINÁRIO”

Deve ter ficado orgulhosa a psicóloga que, anos antes, lhe recomendou o caminho do Conservatório depois de o ver dançar no grupo de danças africanas. Adivinhou, talvez, que a dança clássica era o desenvolvimento natural para apurar as linhas que tão espontaneamente o bailarino criava.

Mais que jeito, era vocação, e no ballet Marcelino Sambé tornou-se nada menos que “brilhante” e “extraordinário”, nas palavras dos entendidos. A prová-lo, chegaram outros prémios, como em 2012 ter sido considerado pela Youth Dance England um dos coreógrafos emergentes do Reino Unido, e em 2017 ter recebido o prémio de excelência de atuação clássica nos Prémios Nacionais de Dança do mesmo país, pela interpretação em “La fille mal gardée”.

Foi aos 18 anos que se juntou à companhia britânica onde se mantém até hoje, radicando-se em Londres, e pode ainda orgulhar-se de ter sido distinguido pela revista Forbes, em janeiro de 2018, como um dos “30 jovens mais brilhantes, inovadores e influentes da Europa”, na categoria Arte e Cultura.

“Os bailarinos são os atletas de Deus”, já afirmou, citando Albert Einstein. Esta sexta-feira deve ter tido direito a uma medalha de ouro divina. (Expresso)

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