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“Já temos no mercado de trabalho graduados em artes plásticas”

Na mais recente exposição, "Idiossincrasias", revela o corpo feminino nu em desenhos ousados.

 O artista e Director Nacional de Intercâmbio Internacional acredita que a formação artística no País está no bom caminho e que a arte pode contribuir para gerar empregos.

Como foi preparar a exposição “Idiossincrasias”, que reúne 40 obras?

Fui fazendo ao longo de um ano de produção em atelier. Fui observando o caminho que certas obras estavam a tomar e cheguei ao conjunto de obras patentes na exposição.

São 20 obras de pintura em acrílico sobre tela e outras 20 de desenho em carvão e grafite sobre papel. O que mais o desafiou?

O que mais me desafiou foram as pinturas. Elas são a desconstrução à procura da simplificação e da depuração na tentativa constante de chegar à essência daquilo que me define como ser humano e criador. Os desenhos partem de exercícios académicos imbuídos de muita técnica e disciplina e um grande rigor e conhecimento académico teórico e prático.

Que comentários ouve sobre os desenhos em carvão e grafite sobre papel que reflectem o corpo feminino?

Oiço comentários relacionados com a minha coragem e ousadia ao apresentar o corpo tal como ele é. Nu, despido, sem amarras, vulnerável e tão belo. Tenho consciência de não ser muito normal este tipo obras expostas, tendo em conta que foram executadas a partir do real, com modelos que posaram ao vivo.

Disse que “Idiossincrasias” é um assumir do seu “eu” sem subterfúgios. De que forma?

Remeto sempre à questão do processo de ensino-aprendizagem pelo qual todos passamos. Foco-me na escrita e na caligrafia. Aprendemos de uma determinada forma e mais cedo ou mais tarde fugimos da norma e inclinamo-nos para a nossa única e irrepetível caligrafia. É a nossa impressão digital. É o assumir do indivíduo. Para esta exposição limitei-me a aceitar os processos e as formas vindas de mim, assumindo-as como idiossincráticas. Não poli, não melhorei, não adulterei. (Expansão)

Por: Mirene da Cruz

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