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A NOSSA MÚSICA: Kalumba uma versão soft de Jorge Rosa de grande nível (Vídeo)

Ao estilizar de forma magistral o tema muito popular da música angolana gravada há anos pelo tio, Sofia Rosa, o artista Jorge Rosa tinha a intenção de surpreender a crítica e conseguiu. Kalumba é de facto um tema de dimensão universal, sobretudo pela forma como se apresenta nesta agradável versão que convidamos o leitor a ouvir.

Quando o falecido Sofia Rosa gravou a música, vinha de uma ruptura com o conjunto “Os Prendas”, que surge no bairro com o mesmo nome, nos anos 65/66, ou mais adiante. Na altura grupos como os “Dikanza do Prenda”, “Jovens do Prenda” e mais tarde os “Ases do Prenda” surgiram em resposta a um amplo movimento artístico que nasce para servir a indústria fonográfica, que agita o panorama, com o tema “Brinca na areia”, que a então Emissora Oficial de Angola, Rádio Eclésia e a Voz de Angola se encarregaram de popularizar.

A canção Kalumba tornou-se para Sofia Rosa um grande trunfo, responsável pela sua afirmação imediata no  meio artístico angolano. O tema vingou pela natureza poética da mensagem. Um poema de amor, protagonizado por Kalumba, a miúda que agitava os corações enamorados dos rapazes, pela sua rara beleza.

Kalumba conta a história de alguém apaixonado que implora por um amor não correspondido. E aqui ressalta a natureza poética das palavras românticas que as línguas nacionais angolanas transportam e que os estudiosos um dia saberão interpretar.

VIDEO KALUMBA COM O AUTOR E BANDA MARAVILHA – YOU TUBE

Jorge Rosa surge neste tema a emprestar uma outra beleza e conteúdo a uma canção plena de significado romântico, interpretada por Sofia Rosa, que pode ser considerado como um dos primeiros artistas em Angola a fazer recolha do cancioneiro popular. O referido tema consta do seu primeiro álbum “Axiluanda”, gravado em Portugal em 2015, com produção musical de Betinho Feijó.

No bairro da Samba Grande onde o pai exercia a produção de sal, precisamente na zona onde é hoje o “Antigo Controle”, em Luanda, Sofia Rosa conviveu com a comunidade de pescadores Axiluanda da área e por via disso assimilou os usos e costumes, dando-se ao hábito de ouvir as canções tradicionais, traduzi-las para depois as gravar.

E fê-lo através de um pescador, o velho Bartolomeu, um animador do Grupo “Os Feijoeiros”,  de Mestre Geraldo Morgado e D. Sofia Monteiro, que teve papel importante na passagem do cancioneiro, que tornou Sofia Rosa, num dos mais populares intérpretes da música angolana.

AXILUANDA CANÇÃO QUE DÁ NOME AO ÁLBUM DE JORGE ROSA – You Tube

O tema “Madia Diá Pambala” expressa, a qualidade poética da língua kimbundo, se traduzida no sentido técnico da arte de bem expressar sentimentos. O velho pescador Bartolomeu reunia-se à quinta feira na taberna do comerciante Machado, à Samba Pequena, ou bairro Santo e cantarolava o reportório que exibia nas danças carnavalescas de então, ao sabor de um vinho tinto expressamente para si reservado na taberna, pelo artista.

Com este tema refeito, apoiado por uma orquestração avançada, Jorge Rosa veio dar a importância merecida ao cancioneiro popular angolano, aqui representado pela língua maternal do grupo Ambundo, que compõe o mosaico étnico de uma das nações africanas mais ricas do ponto de vista cultural, que é Angola. A música também contribui para este belo efeito. (Nováfrica)

Email: (portalnovafrica@gmail.com)

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